18 de agosto de 2022
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Sobre assédio e oportunismo

Voltando de leves e agradáveis férias, que desfrutei carregando piano, esbarro na discussão do momento: assédio sexual X paquera, francesas X norte-americanas, senhoras e senhoritas que sofreram ou não qualquer tipo de aproximação indevida.

Fora um triste momento em minha adolescência, no qual um conhecido se achou no direito de me imprensar contra a parede, não lembro de nenhuma outra experiência desagradável. Revivendo o episódio da juventude, rotulo o cidadão de duas vezes mau caráter. Uma por ter me agredido. A segunda porque, nesta agressão, ele traiu o meu namorado da época, de quem se dizia “muito amigo”.
Trabalhei boa parte de meus quase 33 anos em redações de jornais e revistas e não vivi nenhuma experiência de assédio sexual. Talvez porque tenha sido uma jovem distraída – caso a discutir com a minha psicanalista. Quem sabe era antipática e arrogante? Ou usava um pergume desagradável? Existe a possibilidade de, na época, eu ser casada e isto afastar os eventuais grosseiros de plantão. Mas tendo a acreditar que me livrei de situações difíceis por ter crescido entre dois irmãos mais velhos e os seus inúmeros amigos. Muito cedo aprendi a identificar as idiossincrasias masculinas.
Realmente, não sei o motivo. Mas o fato é que os meus chefes e colegas homens jamais ultrapassaram a linha da boa educação. Graças a Deus – sim, assumo, graças a Deus -, ouvi alguns elogios. Nenhum deles grosseiro.
Respeito e me solidarizo com as mulheres que passaram por assédio sexual. Apesar de minha pouca experiência na área, sei que é humilhante e constrangedor. Ignoro como me comportaria se algo assim me acontecesse na idade adulta. Tenho alma de pastel atropelado, sou meio idiota. Mas desconfio que reagiria à altura.
Apesar de tudo, concordo com as francesas: elogios e charminho, desde que dentro dos limites do bom senso, tornam a vida mais divertida. As norte-americanas estão se tornando xiitas.
Olho com desconfiança para as acusações que remontam ao século passado. Volta e meia leio no jornais que fulana acusou beltrano de tê-la assediado em 1962 ou 1974. Convenhamos, isso é oportunismo. Denunciar alguma coisa acontecida há décadas só tem sentido porque o/a reclamante sabe que vai parar nas manchetes.
O assunto é sério demais e eu, experiente de menos. Evitarei dar palpites.
Mas acho que o mundo está ficando excessivamente chato.

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