23 de maio de 2022
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Quantos homens morrem no mundo pelas mãos de feministas?


Já li em redes sociais mulheres apegadas a quatro letras de um sufixo dizendo coisas assim: se o machismo é algo ruim, por que o feminismo haveria de ser algo bom? Contra-argumentar com quem tem repertório construído na técnica dos papagaios é garantia de perda de tempo.
Diante de escritos assim, uma das poucas coisas a fazer é outra pergunta. Quantos homens morrem no mundo pelas mãos de feministas? O feminismo é um movimento nascido da necessidade de enfrentar coletivamente a violência emocional e física sofrida por mulheres submetidas a cotidianos perversos, a maioria sem voz e condição social ou psíquica para reagir e interromper o estado de coisas em que vive.
Cavernas
O machismo não é comparável ao feminismo. É um comportamento que perdura desde as cavernas e cujo princípio é o de que homens mandam em mulheres e, em maior ou menor grau, aquelas que vivem ou estão com eles, para não dizer todas as mulheres que seus olhos alcançam ou seu corpo toca, são objetos seus, estão ali para realizar desejos e, principalmente, obedecer e seguir suas ordens e regras.
Dois casos bárbaros ocorridos semana passada deixam claro o quanto o machismo é letal e o quanto a estupidez humana continua impávida, inclusive a de muitas mulheres sobre o assunto. O mundo avança em conquistas, direitos e comportamentos, mas muita gente permanece acusando as vítimas e diagnosticando errado o papel dos culpados. Quem não leu ou ouviu falar do caso de Eva Luana, a menina violentada de todas as formas pelo padrasto, Thiago Alves, em Camaçari? Quem não viu as imagens dantescas do corpo e da casa de Elaine Caparróz, espancada por mais de quatro horas por Vinicius Batista Serra, no Rio?
Novinhas
Tão chocante quanto os casos de Eva e Elaine são muitos dos comentários sobre elas. No caso de Eva, 21 anos e violentada desde os 12, perguntam por que a menina e sua mãe nada fizeram. Tentaram, e depois disso as coisas só pioraram. Quem souber o nível de doença mental que se instala em duas mulheres e uma criança de seis anos vivendo sob a perversão de um homem desses por anos, que se pronuncie. Mas traga argumentos ou experiências irrefutáveis. Fora disso, o exercício do silêncio deveria merecer premiação.
No caso de Elaine, 55 anos, espancada e viva por milagre após marcar em sua casa um jantar com um homem de 27 anos, com quem conversava há oito meses numa rede social, as perguntas clássicas têm sido: por que marcou o primeiro encontro em casa? Por que uma mulher de 55 anos quer se relacionar com um garotão de 27 (sem levar porrada)? Respondamos com outras perguntas, óbvias: quantas vezes se pergunta a homens mais velhos por que eles deliram e se relacionam com ninfetas (sem serem espancados por elas)? Um garotão ou um homem mais velho (como o padrasto de Eva), quando é do tipo que abusa e bate, se não fizer isso no primeiro encontro, vai fazer no quinto ou no sexto. É só uma questão de tempo. É da natureza do comportamento deles. Homens assim batem em quem conhecem hoje em uma rede social ou nas mulheres com quem se casaram na igreja há anos e com quem têm filhos.
Traição
Quanto às mulheres que vivem apontando o dedo para as outras, contextualizando o machismo, uma lição de casa, para refletir: quer dizer que se o ator José Loretto traiu a mulher, Débora Nascimento, a responsabilidade disso é de nove mulheres até agora, e não exclusiva dele? Quais dessas mulheres firmou algum dia pactos de fidelidade com Débora? E por que pensar sob essa perspectiva parece ser tão difícil? Pensar não dói, mas o autoengano sempre terá lugar garantido na cama da família. Nada mais reconfortante que enviar a fatura do fracasso de suas relações para outro endereço.
Fonte: Correio 24horas

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