23 de junho de 2024
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O romance do ano

Então, a senhora Adriana Ancelmo vai cumprir prisão domiciliar, não é? Quanta generosidade do juiz Marcelo Bretas da 7° Vara Federal. Espero que, agora, ele conceda a mesma regalia às milhares de mães presas. Não porque roubaram milhões de dólares. Algumas surrupiaram um quilo de feijão, duas ou três batatas para matar a fome dos filhos. Mas, segundo a lei “muderninha”, estas merecem sofrer. Madame Cabral, não.

Atenção, o diabo não é tão feio como se pinta. Afinal, dona Adriana vai para casa proibida de usar a internet e o telefone. Beleza, severidade é bom e eu gosto. É claro que, habituada a cumprir as leis, a ex-prisioneira jamais usará a internet e os celulares dos filhos de 11 e 14 anos. Imagina, ela nunca faria/fará isso. Dona Adriana é doutora “adevogada”, cidadã disciplinada, um exemplo para as mulheres do Brasil.
Magistrado duro, o Bretas. Coitada da Adriana Ancelmo, meu Deus. Sem se comunicar com o mundo? É crueldade demais. Como ela vai movimentar a dinheirama que o maridão desviou? Como vai encomendar um diamante enorme para se consolar da experiência trágica de ficar presa? Pre-sa, eu disse PRE-SA. Ela, representante da zelite branca. Como é possível, Jesus? Agradeço ao Juiz Bretas a generosidade de a libertar. Não fazia o menor sentido uma ladra refinada – residente no Leblon, dona de sapatos Louboutin – ficar encarcerada em Bangu. Ora, faça-me o favor…
Aguardemos, agora, libertarem o Sergio Cabral para amparar a excelentíssima esposa, que precisa amparar os dois adolescentes, que, até então, amparavam solitários – tremenda responsabilidade – seus cachorrinhos. São todos, família Cabral e cachorrinhos, VIPs. Merecem
voltar a usar o vaso sanitário polonês, que regula a temperatura de acordo com o bundão do freguês.
Bundões somos nós, isso, sim. Estamos entubando muita coisa sem reagir. Já passou a hora de virarmos a mesa. A liberdade dessa detenta é uma cusparada na cara dos brasileiros.
Bom seria se a Adriana Ancelmo protagonizasse o romance do ano e se apaixonasse pelo goleiro Bruno. O máximo, já pensaram? Bem, já havia entregue esse texto ao portal www.annaramalho.com.br quando soube que o desembargador Abel Gomes, atendendo a um pedido do Ministério Público Federal, revogou a prisão domiciliar de dona Adriana. Infelizmente, perdemos a oportunidade de ver surgir o casal 20 da honorável justiça brasileira.
Em compensação, podemos alimentar esperanças de que, finalmente, o nosso judiciário tenha tomado juízo.

O Boletim

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