28 de maio de 2024
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Identidade de gêneros

Confesso: tenho uma bisneta de um ano e meio. Gracinha pura, que acabou de ganhar um irmão e está meio ciumenta. Deu para fazer birra. Vi-a apenas uma vez, muito pequenina. Minha família se espalhou pelo mundo e meu neto, pai da bisneta, mora na Escócia onde, claro, também mora a filha dele.

Mas sempre tenho notícias da pequena, envio presentes e me emociono com as histórias que escuto sobre as peripécias da senhorita Anna.
Toda esta conversa fiada – é verdade,  tenho a maior dificuldade em  assumir que já sou bisavó, mas tudo bem, sou uma bisavó bem resolvida. Acho, sei lá. Enfim, como eu dizia, toda esta apresentação da bisneta é para relatar uma novidade que me fez pensar muito sobre o papo de diferença de gêneros.
Tive dois filhos, um rapaz e uma moça. Senti, enquanto os criava, que meninos e meninas reagem de maneira diferentes às mesmas situações. Eles cresceram e, de repente, começou essa conversa de alun@ comportad@, porque ninguém  nasce mais homem ou mulher. Fiquei desconfiada, mas  achei que a minha experiência me passara uma impressão errada. Vai ver, meninos e meninas são mesmo iguais e a flagrante diferença física serve apenas para azucrinar a cabeça dos descolados muderninhos.
Aí, apareceu a Anna e seu ciuminho do Nathan – é o nome do bisnetinho, lindo, sim, obrigada. Para distrai-la e mostrar o quanto ela continua importante, uma amiga de minha filha, a avó, deu-lhe um lacinho para ela colocar no cabelo. Um ano e meio, gente. Filhota de pais de vanguarda, ninguém ali é careta. Mas bastou a Anna ver o lacinho para alma feminina transbordar.
Minha bisneta enfeitou-se com o lacinho e se recusa a tirá-lo. Olha-se no espelho, ajeita-o, sorri para a própria imagem. Dorme, acorda e toma banho com o lacinho nos cabelos. Está se achando linda e poderosa. Sexy, apesar de seu ano e meio.
A velha bisavó tinha razão. Digam o que disserem, meninos e meninas nascem meninos e meninas. Lembro-me que meu filho, com três anos, recusou-se a vestir uma fantasia de pirata por considerar que o bolero era muito “de menina”. Hoje,  vejo a Anna e o seu lacinho provarem a minha teoria.
Do alto da minha extraordinária experiência de matriarca de três gerações, afirmo: igualdade de gênero é papo furado.
Viva e maravilhosa diversidade sexual.

O Boletim

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