Historinha mal contada


Leio no jornal: “Após 30 horas de trabalho de parto, homem transgênero dá à luz um menino”. O homem transgênero em questão tem 34 anos, é norteamericano e mora com o pai da criança há quase uma década. Quando decidiram ter um filho biológico, ele/ela interrompeu o tratamento com testosterona, que lhe garantia fartos bigodes e barba, e foi a luta com o maridão. Diz a notícia que o casal passou mais de um ano tentando engravidar.
Suponho que o homem transgênero e o respectivo consorte usaram o velho e bom método de fazer filhos: romance, rola um beijo, muitas carícias, boas preliminares, coisa e tal, pimba: madame está grávida.
Mas como vivemos em tempos politicamente corretos, em que uma mulher com útero, ovários, cromossomos XX, capaz de parir normalmente e que, ainda por cima, gosta de homem (ou não seria casada há tanto tempo com o mesmo parceiro), só porque toma hormônio e desenvolve características sexuais secundárias masculinas pode ser chamada de homem – pior, acredita que é um – a imprensa faz a sua parte e anuncia que o cidadão viveu um parto feliz.
Lamento muito. Mas, para mim, quem pariu essa criança foi uma mulher biruta, que vive com um homem igualmente biruta, ambos se acreditando o máximo da vanguarda sexual e agindo exatamente igual a qualquer casal heterosexual do planeta Terra. Ou não nasceria uma criança.
Cada qual exercita as suas taras, ninguém tem nada com isso. Vai ver que o recém papai faz o tipo “eu quero me enrolar nos seus cabelos”. Quanto mais testosterona a mulher tomar para brotarem pelos onde ele possa se embaralhar, melhor. Viva a liberdade. Desejo que ela se transforme na mulher barbada do circo, que o casal seja muito feliz e que muitos outros filhos venham alegrar este lar.
Mas não me convence. Precisamos chamar uma senhora mãe de família, com os peitos cheios de leite, de homem transgênero? Precisamos, o mundo inteiro, entrar na surrealista viagem de um homem que pariu normalmente? Precisamos fingir que acreditamos que um ser humano com útero e vagina é do sexo masculino?
Por favor, contem outra.

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