20 de maio de 2024
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Hell de Janeiro


Li no Facebook o assustador comentário de uma amiga. Em “estado letárgico”, ela avisou na tarde de sábado, dia 7/01, que a sensação térmica no Rio de Janeiro era de 60 graus. Para completar, no bairro onde mora, faltava água.
O máximo que peguei de sensação térmica, quando vivia no Rio, foi 50 graus. Era quase impossível respirar, não havia a menor possibilidade de sair dos aposentos com ar refrigerado. Não consigo sequer imaginar o que está passando esta amiga e todos os outros cariocas. É, eu sei, existe quem  sequer possa contar com o conforto da refrigeração. O número de pessoas morrendo por causa das altas temperaturas deve ser enorme.
A continuar esta situação, o Rio de Janeiro tende a sumir do mapa, virar um um local desprovido de importância. A cidade cresceu sem planejamento, virou uma muralha de prédios, uns colados aos outros, que concentra o calor e não deixa passar o vento. As ruas estreitas, eternamente engarrafadas, piora o cenário.
Uma série de péssimas administrações transformou o Rio numa urbe inviável. Nada funciona. Saúde, segurança, educação, transporte, telefones, distribuição de água, tudo se esfarela, acaba, entra em falência. A  violência é crescente, os arrastões se sucedem e os moradores dos bairros mais nobres – contou-me, no mesmo sábado, uma cunhada – sentem-se impossibilitados de caminhar pelas ruas. Pivetes roubam e matam sem que ninguém tente impedí-los.
Volta e meia, amigos me escrevem avisando que estão indo morar nas Serras fluminenese e/ou gaúcha, em Florianópolis ou no exterior. Quem pode, ou tem coragem, já está caindo fora do Hell de Janeiro.
Nem a cidade nem nós, que nascemos nela e a conhecemos realmente maravilhosa, merecíamos assistir à tanta degradação. O novo prefeito, o bispo Crivella, sugere que rezemos para Deus ajudar.
Contando, parece brincadeira. Infelizmente, não é. O prefeito também acha que só um milagre nos salvará.
Então, seu bispo, acabou-se o que era doce. Deus caprichou quando fez o Rio de Janeiro. O que existe em beleza, fez questão de colocar  nas nossas montanhas e nas nossas praias. Com certeza não vai, agora, perder tempo consertando o que a irresponsabilidade das autoridades e dos habitantes estragou.
Sou carioca dos tempos áureos. Minha tristeza é imensa.

O Boletim

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