8 de agosto de 2022
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Fake News

As redes sociais inauguraram um paradigma. Passado o período da propaganda eleitoral gratuita, na qual me engajei entusiasmada, começou a temporada das fake news. Uma jornalista brasileira, doutoranda aqui no Porto, de quem sou amiga, garante que são exatamente os boatos que devolverão a importância e a dignidade à nossa profissão atropelada pela tecnologia.

Hoje todos noticiam tudo a qualquer hora e sem nenhum compromisso com a verdade. Publica-se e pronto. Quem quiser que verifique a autenticidade do fato e a dignidade alheia, jogada na lama, que trate de se limpar sozinha. Minha amiga, porém, é otimista. Acredita que cabe a nós ser o fiel da balança nessa nova terra de ninguém. Serão respeitados – e, portanto, dignos da confiança dos leitores e dos anunciantes – os profissionais de mídia que transformarem os seus nomes ou as suas marcas em atestado de confiabilidade. Segundo ela, notícias, agora, precisam de firma reconhecida para não serem interpretadas como fake news. O jornalismo do século XXI será um jornalismo sério, exercido por profissionais rigorosos. Suas assinaturas colocarão na matéria o selo de autenticidade.
Sendo isso verdade – e espero que seja, como está a profissão acabou, perdeu-se nos labirintos das inverdades adaptadas às diversas ideologias – temos um árduo caminho pela frente. Quem quiser receber o reconhecimento de seu trabalho terá que ligar o nome a fatos incontestáveis, pesquisar em fontes primárias, não ceder às tentação fácil do “furo” para, depois, desmenti-lo.
Perco-me nessas considerações – que renderiam várias noites de conversas – porque, morando em Portugal, acordo diariamente ansiosa para ler na Internet a notícia de que, pelo bem do Brasil e da moralidade pública, o Supremo Tribunal Federal foi fechado e os seus onze ministros despachados para intermináveis férias nas Ilhas Maurício, Oceano Índico.
Quem me conhece sabe que tais férias idílicas não passam de uma metáfora para o que realmente quero. Manterei o meu desejo oculto. Vocês podem não acreditar, mas sou da paz. Ou era, não sei mais. No momento, ando delirando com uma lista de possíveis punições para os malfeitores da pátria. Inventei um castigo com duas versões. Uma, confortável, na medida do possível. Outra, nem tanto. Esta, imagino-a enferrujada e fora de prumo. Emperrada, difícil de manobrar. Aos ministros do Supremo, seus carros blindados, suas mordomias, seus aumentos salariais abusivos, seus Habeas Corpus a bandidos, sua intenção de desmontar a Lava-Jato, indico a punição enferrujada e fora de prumo. Se possível, também sem óleo ou manutenção – e seja o que Deus quiser.
Mas preciso receber a notícia de fonte 100% confiável. Ter certeza de que essas pessoas que fazem tão mal ao Brasil foram ou serão devidamente punidas. Por isso, gosto tanto da teoria de minha amiga doutoranda. Gostaria que fosse ela a me transmitir tão importante informação. Assim, acreditaria.
Porque comemorar a novidade e, depois, ter que entubar que é fake news, que os ministros continuam no bem-bom legislando em causa própria, é inimaginável. Acho que cortaria os pulsos.
Será que só eu reparo que o STF ultrapassou todos os limites aceitáveis e faz o país inteiro de idiota?

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