9 de agosto de 2022
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É golpe que se diz, né?


É desolador estar longe de casa e dormir com essa notícia e acordar com a repercussão dela nos jornais. Se ATÉ Merval Pereira estava assustado com isso ontem à noite, imagine eu.
Eu não existia em abril de 1964 e se há coisa que nunca desejei testemunhar foi ver o país repetir o passado tal e qual.
Por formação constitutiva, eu sou dessas pessoas que vivem COM SAUDADE DO FUTURO.
Que os deuses do mundo – eu que quase nunca peço nada a sério a não ser a mim mesma – não me levem a viver num regime militar.
Vejo com uma nitidez assustadora o país se tornando uma espécie de republiqueta de bananas, desses caricaturais dos filmes D de Hollywood.
Parece que os ditadores já estão ensaiando poses em que recebem os amigos vestidos de camisas tropicais, com estampas de abacaxis e coqueiros enormes, óculos rayban espelhados, recepcionados às gargalhadas, com drinques coloridos como aqueles da série A Ilha da Fantasia.
Ah, e ao som de panelas. Vejo a cara da ditadura e ela está viva, muito viva. Tem até o general ariano de olhos verdes para ornar com os olhos azuis de Garrastazu Médici e para decorar a sala das “pessoas de bem” que hoje estão nas ruas em nome de Deus, da família e dos bons costumes, cultuando as panelas-troféu.
O generalato está tão à vontade no ensaio da posse que anuncia suas ameaças “não vamos tolerar” pelas redes sociais, talvez como tem que ser em abril de 2028. Chutou o pau da barraca do pudor e da discrição. Vamos chamar Regina do Duarte para puxar o coro: #eutenhomedo
Faça o convite à atriz, Breno Fernandes, que lembrou imediatamente dela. E escolhamos a música. Ou vamos repetir Vandré? Nem a trilha sonora do medo vamos mudar? Caminhando fez história, mas não deu sorte…
PS: sei que os pombos digitais vão aparecer aqui para liberar as cacas. Mas, fodam-se eles.

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