22 de maio de 2024
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Dor


As rebeliões nas cadeias se sucedem. Acompanho-as, chocada com o grau de violência. No Rio Grande do Norte, vinte e quatro prisioneiros foram decapitados e as cabeças jogadas pelos muros.
Barbárie, não há outra palavra.
Barbárie também os comentários nas redes sociais. Como sempre, equilíbro zero. O brasileiro tende a polarizar todo e qualquer assunto. Até os intensamente dramáticos, como este, o das rebeliões.
Tudo é extremamente sério, tanto horror é sintoma de uma sociedade extremamente doente. O que será que a violência nos presídios, os assassinatos, as decapitações estão querendo nos dizer? Que somos um país tão enlouquecido que perdemos a capacidade da empatia? Que não nos importa nada, além de discutir política rastaquera, cada um querendo ter mais razão que o outro?
Não vejo dor pela dor alheia, não vejo sentimentos nos comentários. O país se divide. Há quem ache ótimo – inacreditável, meu Deus -, e há os esquerdinhas de estimação, que já começaram a teorizar sobre a privatização dos presídios, como se fossem grandes especialistas no assunto. A maioria, aposto, só ouviu falar em presídios privados quando estourou a rebelião de Manaus. Mas já está destilando regras na Internet. Como diz a jornalista Sandra Luz, que defende tese de doutorado sobre a criminalidade: “é necessário discutir profundamente as penitenciárias, mas este é um assunto sério demais, não dá para bancar o especialista de almanaque”.
Também li comentários sobre os prisioneiros despidos, enfileirados, num momento de contenção da violência. Era ou não necessária a estratégia de despi-los? Foi um meio de acalmá-los? Não foi? Não será melhor prisioneiros temporariamente nús, mas vivos? Ou seria mais acertado deixar todo mundo morrer de bermuda e chinelo de dedo para não desrespeitá-los? E se? E agora? Quantas interrogações…
Tudo é triste demais e me traz perguntas demais. Todas sem respostas. Estou assustada e penalizada.
Em cada cabeça que rola, rola um pouco da nossa. É também por nós que os sinos dobram.
Por que nem neste momento tão grave conseguimos deixar de ser superficiais?
O Brasil tem jeito?

O Boletim

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