23 de maio de 2022
Walter Navarro

Sexus, nexus, plexus e outros exus


Li ou ouvi, há muito tempo, que a palavra mais digitada na Internet era “sexo” ou tinha a ver com sexo. Logo pensei, “faz sentido, as pessoas procuram na rua ou na Internet, o que não têm em casa…”.
Hoje, há controvérsias e dúvidas cruéis. Dependendo do ano, de certos acontecimentos, a procura e as palavras procuradas mudam. Normal.
Ontem, dia 17 de janeiro de 2017, fui lá dar uma olhada.
Clicando a esmo, caí numa página de 2015, com o Google divulgando os assuntos mais procurados no Brasil: ” O Big Brother Brasil 15, a morte do cantor Cristiano Araújo, os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio, a série ‘Verdades Secretas’ e a Tabela do Brasileirão”.
Quem era Cristiano Araújo? O resto entendo. Tão Brasil!
Em 2014 o resultado foi mais bizarro: “Como fazer arroz”, “O que é WhatsApp”, MC Gui e Lepo Lepo… Tenho até medo de pesquisar isso…
Definitivamente o Teoria da Evolução cruzou o Brasil na rua, fingiu que não o conhecia e sumiu. Em 2016, as palavras e assuntos mais procurados no Google foram, pela ordem: Pokémon GO, Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Big Brother Brasil, Chapecoense, Tabela do Brasileirão, Domingos Montagner, Eleições 2016, Enem, Sisu e iPhone 7.
O que é Sisu?
O tema da crônica de hoje era “sexo como a palavra mais procurada na Internet”. Porque no Facebook, amiga minha postou esta frase: “Existe um povo chamado Mangaiano, na Polinésia, onde as pessoas têm relações três vezes ao dia”. Minha amiga postou, botou lenha na fogueira e caiu fora, pelo menos até o fechamento desta edição.
O povo deitou e rolou em piadinhas e comentários maldosos, inclusive eu, claro. Eu, que nunca ouvi falar nos mangaianos…
Logo eu que, da Polinésia, só tinha inveja das praias e da inspiração que aquelas ilhas deflagraram nas telas de Gauguin e na música de Jacques Brël.
Gauguin, aliás, morreu lá, nas Ilhas Marquises, de sífilis. As mesmas Marquises que deram nome à última canção de Brël e onde também ele está enterrado, depois de morrer de câncer, em Paris, dia 9 de outubro de 1978, dia em que completei 16 anos.
Brinquei com os mangaianos, mas com certa propriedade, afinal, o que há pra fazer na Polinésia, além de sexo? Ir à praia?
As mulheres, como sempre insatisfeitas e insaciáveis, reclamando de barriga ou boca cheia, lotaram o “post” com mil comentários do tipo: “Eu vou morar lá!”, “Pode passar meus contatos para os mangaianos”, “Gostei desse lugar. Bora passar uns tempos lá…”.
E foram ficando mais engraçadinhas: “O orgasmo do porco dura 30 minutos. O leão tem até 51 orgasmos na relação…  O cavalo transa 52 vezes por ano…”.
Minha “vingança” foi lembrar aquela piada: casal visitando uma fazenda, escuta do veterinário que o Boi transa 365 vezes por ano… A mulher vira-se para o marido e diz:
“Adoraria que fizesse o mesmo que o Boi”. E o marido responde: “Pergunta pro Boi se é sempre com a mesma vaca…”.
O mais engraçado nesta conversa toda é que o Facebook e o WhatsApp viraram sinônimos de traição, adultério, pornografia, cantadas, etc. Ao mesmo tempo, pelo menos o Facebook é lugar de quem fala muito e faz pouco. É um divã de pobre, cheio de gente vazia, gente solitária.
O Facebook é onde o povo sobe no tijolo e faz discurso. É como aquele hábito inglês, em Londres, o “Speaker’s Corner”, no Hyde Park. Lá não interessa o grau de razão ou álcool do cidadão. Todos têm direito a subir em uma caixa ou escada e xingar à vontade. Xingar o governo, o time, a igreja. Só não vale criticar a Rainha, o resto vale tudo.
Bom, tá na hora de parar aqui e procurar uma ilustração para essa crônica. Depois, juro, não vou pesquisar passagens baratas pra Polinésia, quero mesmo é aprender a fazer arroz.
PS: pronto, podem retomar uma atividade normal.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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