Chega de "Bom dia, Boa tarde ou Boa noite" no WhatsApp!!!


Acordei hoje entre o mau humor com a falta de noção das pessoas e uma paradoxal carência de conselhos. E já que Mark Zuckerberg quer que usemos essa bagaça mais para “interagir” com os amigos sobre esse tipo de questão do que para falar de Davos, tenho umas perguntinhas sobre o que vocês fazem com as pessoas que SÓ aparecem no seu WhatsApp para:
1 – Dar bom dia, boa tarde e boa noite e NUNCA têm sequer uma coisinha, bobinha que seja, para lhe contar. Desculpem, mas assim como nunca dei boa noite, bom dia ou boa tarde a apresentador de telejornal, como nunca entendi porque as pessoas aplaudem o pôr do sol (ou o nascer), também tenho essa incapacidade de manter com quem quer que seja um diálogo, eletrônico que seja, com pessoas que se restringem a se comunicar comigo nesses termos lacônicos do bom dia, boa noite, boa tarde. Essa semana estava estudando e chegou um bom dia (eu conheço os tipos, sei que mesmo que eu também dê bom dia e até tente mandar um “como você está/quais são as novidades/bom dia para você também”, não vai vir nada, a não ser um outro bom/boa qualquer coisa mais tarde), me deu um click de doida e mandei 30 bom dia(s) de volta, um de cada vez, para ver se a humanoide se tocava que estava me irritando. Era uma resposta para os próximos 30 bom dias, por antecipação. Cês acham que a humanoide entendeu patavinas?! Não! Respondeu imediatamente com emoji de beijinho de bochecha e coraçõezinhos vermelhos! Tenho umas 5 tipas dessas no meu WhatsApp. Como faz? Não sou tão má para bloquear a limitação cognitiva que sei que é involuntária.
2 – Nenhum de nós é absolutamente feliz ou absolutamente triste. Alguns de nós somos mais ou menos loucos, sinceros ou corajosos para ter ou não ter medo ou coragem de dizer aos nossos amigos como somos ou estamos. Eu acho que digo. Mas só acho. Mas, vem cá: como a gente faz com aquelas amizades que a gente ama de paixão, sabe, tem certeza de que a vida de algumas dessas pessoas é uma catacumba mil vezes mais funda, acidentada, escura e irrespirável que a nossa e, MESMO ASSIM, sem você pedir, elas vivem lhe dando um tutorial do que você deve fazer para viver absurdamente feliz a vida inteira todos os dias no cenário e no clima do céu da novela A Viagem? Gente, depois de trocentos anos de análise – e nunca com TERAPEUTA PICARETA DE PLANTÃO QUE VIVE COBRANDO-LHE 3 dinheiros para lhe atender nos palcos literais dos teatros alugados na esquina ou em câmeras domésticas de rede social com seguidor fake comprado em farm likes -, filhos criados, casamentos desfeitos, toda uma memorabília para chamar de sua, amigos incríveis, inimigos podres (inimigos sempre são podres e fedem muito, daí ser preciso manter a distância), malvados favoritos escolhidos, lista de nojinhos inegociáveis registrada nos caderninhos pretos, vermelhos e pinks de capas duras, lugares vistos e revistos, praias preferidas para aparecer um mosquitinho basculante no olho, gostos e desgostos apurados, afetos rasgados ou bordados em linhas luxuosas de seda, paladar definido, autores e obras escolhidos, tarjas pretas escolhidas pelo calibre certo para seus ups em downs, filmes, livros e objetos selecionados para levar para a ilha deserta e bla bla bla… me digam:
Por que raios amigos que amamos e que não fizeram nem a metade do seu dever de casa em suas próprias vidas e sem que você implore, peça ou sequer pergunte, acham que podem e devem lhe dizer como e exatamente você TEM QUE se comportar no mundo PARA SER FELIZ?!
Oh, Gezuis, se com VOCÊS não é assim, comigo é: sem pudor, sem medo de tarja preta, de analista e de seus lencinhos de papel e de suas perguntas que queimam mais que o ancinho do demo quando vermelho de quente e enfiado no coração das pestes, eu, se na lona, não tenho medo de pedir colo a amigos. Ao contrário: não sei é sofrer sozinha. Acho uma forma de suicídio distendido e sou curiosa demais para me suicidar e ficar sem saber o que vão especular sobre isso quando eu tiver apertado o ON. Peço colo, choro, bebo (nunca sozinha, pois acho decadente demais, a não ser por estilo e uma tacinha, enquanto faço outra coisa), gargalho, narro tragicomédias. Sou rasgada em minhas emoções e as publicizo: gente, eu não vou mudar e nem consigo, a essa altura da vida. Não tem Daime, não tem energia de cristais, não tem chacra, não tem deletação de memória, não tem coach de emoções, não tem personal picareta que me faça reengenharia cerebral: acredito, para essas coisas, em psicanálise, bons livros, bons filmes, alcool, viagem, receita azul, tarja preta, melatonina, dhea, cafeína, açúcar, lágrimas, gargalhadas, amizades e, claro, algum dinheiro para viabilizar a reunião dessas coisas. Dito isso, comunico: meu manual tá pronto. Tem páginas mal escritas para caralho? Ah, tem. Mas se algo vai ser reescrito, há algo imperioso: amo meus amigos, mas só eu, e se e quando puder, posso reescrever essas páginas e num estilo que será o meu e no qual eu preciso acreditar.
E por ora, paro por aqui. Comecei querendo escrever duas perguntas de 4 linhas cada e já ultrapassei um capítulo. Vou ali estudar, depois viajar e depois volto, se lembrar da pergunta 3, da 4, da 5….
Depois releio e corrijo os erros. O corretor deve ter me assassinado. Sempre assassina nesses casos.
Ah, em tempo: eu estou muito longe de Salvador até outubro. Se isso não for causar a sua morte, pelamordeus, evite me pedir coisas que dizem respeito exclusivamente a você, a sua vida, ao seu trabalho e às suas urgências EM SALVADOR. Vocês não têm ideia do quanto é caro estar aqui. E vejam se não é incrível: o tempo aqui também passa para mim! O relógio também funciona aqui, os meus prazos também correm aqui, eu também tenho demandas aqui e não são poucas. Há dias que passo muito tempo me convencendo a não fazer print de tudo o que me pedem, eu aqui, para providenciar para as pessoas aí. Gente, como dizem nas frases feitas, amo vocês, mas não a esse ponto! Tenho uma lista de menos de uma dúzia de pessoas, de amigos e amigas, que podem me pedir o que quiserem daí que faço daqui. Mas se você está nesta lista, tenho certeza absoluta de que você sabe. Se você tem dúvidas, é porque NÃO está. E a essas pessoas da lista eu peço mais a elas do que elas a mim. Se você sabe que não é uma delas e quer que eu, daqui, faça algo para você, bote preço e veja a cotação do euro na casa de câmbio mais próxima. Vamos negociar?
Gezuis também te ama, mas só porque ele não tem WhatsApp, não tem e-mail, não tem relação direta com você e porque Gezuis não tem contas e não as está pagando em euro. E mais importante: Gezuis te ama porque nunca morou com você. Esse último princípio é universal.
Ah, e NÃO, eu não sei como empreender em Portugal. Se soubesse não estava estudando. Estava enriquecendo. Redirecionem essa pergunta para Iuri Barreto e para os social media e digital influencers brazucas clientes dos farm likes/likes farm [não é o caso dele].

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *