2 de julho de 2022
Sergio Vaz

O buraco negro e a Terra plana


Que tempos estes, meu Deus do céu! Vivemos entre o futuro e as cavernas.
Paradoxo.
Me ocorreu, neste dia em que um grupo de 200 primatas de diversos cantos do planeta Terra, de 20 países diferentes, trabalhando em conjunto, conseguiu fotografar um buraco negro localizado a 55 milhões de anos-luz, que há uns 55 milhões de anos-luz separando alguns primatas de outros. Todos vivendo aqui mesmo, no tal pale blue dot, como o astrônomo Carl Sagan definia este minúsculo pó de poeira em que existimos.
Enquanto alguns desses bípedes sem pluma conseguem um feito como este, num esforço conjunto, global, globalizado, uns outros crêem que a Terra é plana, as imagens de Neil Armstrong pisando o solo da Lua são filme de efeitos especiais produzido por Hollywood, a multiplicação de armas diminui a violência, o nazismo é de esquerda, a globalização é invenção de comunistas, os comunistas dominam o topo das organizações financeiras, são os donos dos jornais, das grandes empresas, dos monopólios, e quem disser que tudo isso é coisa de louco, insano, alienista, pirado, pancadão, é propagador do marxismo cultural.
Vivemos entre o futuro e as cavernas. O futuro e o tempo bem antes das cavernas.
Paradoxo.
O mundo é um paradoxo. A vida é um paradoxo.
A humanidade às vezes parece que é o verdadeiro buraco negro.

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