Dr. Michel Jekyll e Mr. Temer Hyde

É um governo monstruoso – mas curou o país da dilmite aguda.


O apelido “mordomo de filme de terror” pegou em Michel Temer desde que foi usado pela primeira vez, ainda em 1999, por ACM, Antônio Carlos Magalhães, por sua vez conhecido como o “Toninho Malvadeza”. Apelidos sarcásticos são das coisas que pegam na política brasileira – e a verdade é que em Michel Temer tudo o que é ruim pega, gruda, não sai.
Como escreveu Míriam Leitão, com mira perfeita: “Temer tem uma espécie de fator teflon ao contrário, o que é bom não gruda nele.”
O governo Michel Temer faz lembrar outra história de terror: O Médico e o Monstro.
É, ao mesmo tempo, Dr. Jekyll e Mr. Hyde.
Na área política, é o monstro. As denúncias todas de corrupção, o troca-troca deslavado de favores, as péssimas companhias, a tropa de choque, o baixo clero, o baixo nível. A inominável besteira de ele ter, ainda vice-presidente, recebido o bandido dentro de casa – e no andar de baixo, e de noite.
Poderia haver monstruosidade maior que essa senhora Cristiane que leva o nome da pátria amada idolatrada salve salve, e aquele patético, esdrúxulo, nojento, asqueroso, nauseabundo vídeo?
E, no entanto, na área econômica o governo Michel Temer é o elegante, simpático, competente Dr. Jekyll.
É o médico que em um ano e meio tirou o Brasil da UTI em que foi enfiado por 13 anos, 4 meses e 12 dias de incompetência lulo-petista, coroados pelos últimos meses em que a turma Dilma Rousseff-Guido Mantega-Arno Augustin-Luciano Coutinho deu a conhecer ao mundo sua “nova matriz econômica”.
(Nossa Mãe do Céu: Dilma Rousseff-Guido Mantega-Arno Augustin-Luciano Coutinho! Filme de terror é isso aí. Não tem vampiro, não tem zumbi, não tem morto-vivo tão deletério, tão aviltante, tão maléfico quanto essa junção de falta de talento e excesso de soberba.)

E então é assim: enquanto nas páginas da Editoria de Política dos jornais a gente ia vendo as fotos de Cristiane Brasil com aquele circo de horrores de descamisados, nas páginas de Economia vinham boas notícias.
Não só boas, é claro. Nenhum país sai de uma recessão profunda em um ano e meio diretamente para o melhor dos mundos.
Sim, há más notícias nas páginas de Economia, é claro – mas o lado Dr. Jekyll, o lado Médico do governo não pára de produzir boas novas.
Para lembrar, para registrar:
* “Após três anos de queda, indústria tem a maior expansão desde 2010; setor cresce 2,5%, e especialistas já preveem retomada mais forte em 2018.” (O Globo, 2/2.)
* “Balança comercial tem melhor resultado para o mês desde 2006; saldo ficou positivo em R$ 2,768 bilhões.” (Estadão, 2/2.)
* “Contas externas têm menor déficit em dez anos. O Brasil fechou o ano de 2017 com déficit em conta corrente de US$ 9,76 bilhões, informou ontem o Banco Central.” (Estadão, 27/1.)
* “Venda de veículos em janeiro tem alta de 23,1%; nas projeções da Fenabrave, mercado de automóveis deve ter este ano um crescimento de 11,8%. (Estadão, 2/2.)
* “Mercado já vê alta de até 3,5% no PIB; após divulgação de indicadores econômicos mais positivos do que se antecipava, consultorias revisam para cima a previsão de crescimento.” (Estadão, 2/2.)
* “Grupos do país captam US$ 7,15 bi no exterior; mesmo com rebaixamento da nota brasileira pela S&P, empresas têm conseguido levantar recursos a taxas menores que as esperadas.” (Estadão, 29/1.)
* “Retomada da economia eleva expectativa com dividendos; empresas sólidas, com endividamento baixo, são boas pagadoras, dizem analistas. Energia e telefonia estão entre as principais apostas.” (O Globo, 22/1.)
* “Investimento chinês no Brasil é o maior em 7 anos. A China investiu US$ 20,9 bilhões no Brasil em 2017, o maior valor desde 2010, com a recessão reduzindo o preço dos ativos, atraindo investidores, segundo o Ministério do Planejamento.” (Estadão, 20/1.)
* A economia brasileira cresceu 0,49% em novembro, segundo o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br). (Todos os jornais, 16/1.)
* “Petrobras fecha captação externa de US$ 2 bilhões.” (Estadão, 27/1.)
* “Valor de mercado da Petrobras volta a superar patrimônio líquido; forte alta das ações da estatal neste início de ano fez preço de ações superar o patrimônio pela primeira vez desde 2011.” (Estadão, 27/1.)
* “Bolsa registra alta de 5,31% em uma semana.” (Estadão, 27/1.)
* Depois de três anos, arrecadação voltou a crescer. A Receita Federal recolheu R$ 1,34 trilhão em 2017, um aumento real de 0,59%. (Estadão, 27/1.)
* “CCR paga ágio de 185% e ganha leilão de linhas do metrô de SP. Previsão é que contrato renda R$ 10,8 bilhões em 20 anos.” (O Globo, 20/1.)

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