Ao rever fotos tiradas em dezembro de 2019, em Portugal, me deparei com imagens que me trouxeram boas lembranças. Na época segui a dica de uma querida amiga portuguesa que agora gostaria de compartilhar com o leitor. Fui conhecer Ovar, ao sul do Porto.
Pode ser um programa de meio-dia para quem está hospedado no Porto, ou mesmo uma parada estratégica para quem está viajando de carro entre essa cidade e Lisboa. O percurso de carro do centro do Porto até Ovar leva em torno de 30 a 40min.
Ovar é pequena, com cerca de 30 mil habitantes. Sua principal atração é a Igreja de Válega, com singular fachada azulejada. Aliás, a cidade é conhecida por seus azulejos coloridos, com cores vibrantes.
Mas há outro atrativo que é o Oxalá, um restaurante bem conhecido e bastante incomum. Com tantas opções gastronômicas maravilhosas no Porto achei que o Oxalá não iria me surpreender. Ledo engano!
A localização do Oxalá é na beira da Ria de Aveiro, uma longa e estreita laguna que corre paralela ao oceano Atlântico, bem próxima da costa.
Por fora o restaurante é uma construção moderna, sem grandes pretensões arquitetônicas. Ao entrar, uma grande surpresa: uma sala ampla de recepção, onde muitas pessoas de pé pareciam estar num coquetel.
É isso mesmo, o Oxalá oferece uma simpática mensagem de boas-vindas, oferecendo mesa com vários queijos e frios, vinhos e bebidas não alcoólicas, e garçons passando com bandejas de salgados quentes, como bolinhos de bacalhau e pastéis de forno deliciosos!
Um garçom tomava conta de uma peça de presunto cru, e, meticulosamente, cortava finas fatias da iguaria, para alegria dos “convidados” ao inesperado ágape. Para completar, todo o staff era muito simpático e alegre. Ponto para o Oxalá!
Mas ainda não falei da decoração. Minha primeira lembrança foi, sem dúvida, as delícias oferecidas, diga-se de passagem, como cortesia do estabelecimento.
Mas a decoração trouxe outra surpresa: todo o teto da recepção preenchido com garrafas de vinho… cheias! Um efeito para mais de interessante, assim como as paredes recobertas com fotos de visitantes.
O restaurante tem três salas para refeições mais intimistas, para grupos pequenos, no térreo. No andar superior, há um grande e arejado salão, onde nos sentamos.
Confesso que, àquela altura, meu estômago já estava satisfeito. Mas não podia fazer o papelão de aceitar a “boca livre” e ir embora. Lá fui eu para o andar superior e pedi casquinha de siri e um robalo no sal grosso dos deuses, especialidade da casa. Não consegui pedir sobremesa, o que para mim é sempre uma tristeza.
O pecado da gula está na Bíblia. Não costumo sentir culpa por essa pequena transgressão, mas já que ia conhecer a famosa Igreja de Válega, aproveitei para limpar minha barra no quesito gula. Deus é testemunha!
A Igreja Matriz de Santa Maria de Válega, que pertence a Ovar, é realmente muito interessante. Construída no séc. XVIII, teve sua fachada principal e suas paredes internas revestidas com coloridos azulejos de temática religiosa no séc. XX. Os azulejos foram produzidos pela Fábrica Aleluia de Aveiro. Destaco, também, o revestimento de madeira do teto no interior.
A porta principal da igreja é voltada para o cemitério da cidade. Como parei o carro no estacionamento do cemitério, tive que passar por ele. Sem o menor problema. Se o visitante quiser, pode acessar a igreja da rua mesmo.
Conclusão: foi uma tarde muito agradável em Ovar, recomendo o programa.
“Arquiteta de formação e de ofício por muitos anos, desde 2007 resolveu mudar de profissão. Desde então trabalha com turismo, elaborando roteiros e acompanhando pequenos grupos ao exterior. Descobriu que essa é sua vocação maior.”
4 Comentários