24 de abril de 2026
Luiz Philippe de Orléans

O pragmatismo de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump. (Foto: YURI GRIPAS/EFE/EPA)

As possíveis abordagens de Donald Trump em relação ao Brasil envolvem considerações complexas que vão além da mera afinidade ideológica. Em minha análise, percebo que ele demonstra, em consonância com o próprio sistema norte-americano, um interesse primordial em eleições livres e transparentes em solo brasileiro. Tais pleitos devem ser imunes a interferências, ainda que a apuração dos votos ocorra por meio de sistemas digitais pouco confiáveis.

Para garantir essa integridade, suponho que Trump possa mobilizar recursos tecnológicos de ponta, incluindo equipes de especialistas em segurança cibernética e mesmo hackers qualificados. Acredito que ele buscaria repetir a colaboração de figuras como Elon Musk, que o auxiliou a mitigar tentativas de manipulação em seu próprio processo eleitoral. Existe uma clara percepção de que o governo americano compreende a vulnerabilidade do sistema brasileiro no controle da contagem de votos — uma preocupação compartilhada por muitos de nossos especialistas em TI. Nesse cenário, não hesito em prever o acionamento de inteligência técnica americana para detectar fraudes em algoritmos pré-programados.
Entre a vigilância tecnológica e a realpolitik

A intenção de Trump, portanto, seria assegurar eleições justas no Brasil, mesmo diante de tecnologias que consideramos questionáveis. Contudo, é preciso enfatizar que qualquer intervenção dos Estados Unidos estaria estritamente condicionada à ausência de interferência política interna prévia. A administração Trump evitaria, por princípio, intervenções diretas para se poupar de desgaste político interno e para não alimentar sentimentos antiamericanistas no Brasil.

Minha visão sobre sua estratégia é clara: o apoio inicial pende para uma direita organizada e com viabilidade eleitoral, protegendo o sistema contra interferências internas e externas. No entanto, o pragmatismo fala mais alto que o dogma. Caso a direita não apresente condições reais de vitória, Trump não hesitaria em estabelecer parcerias com um governo de esquerda, buscando um alinhamento que atenda aos interesses de Washington, de forma análoga ao que ocorre com a Venezuela.
Estado aparelhado e fantoche

A questão central que coloco em debate reside no risco de o Brasil se tornar um “fantoche” dos Estados Unidos. Se essa parceria resultar no combate efetivo ao narcotráfico, ao terrorismo e na proteção de nossos recursos naturais e terras raras, muitos poderiam vê-la como positiva. Todavia, a manutenção de um governo tutelado implicaria a perpetuação de um sistema político problemático, enraizado em décadas de burocracia e corrupção.

Os vícios dessa “máquina podre”, criada e alimentada por gestões de esquerda há mais de trinta anos, estão evidentes em nossos ministérios e estatais e mesmo na própria Constituição. Diante de figuras que declaram publicamente que nunca sairão do comando do Estado, a mudança real deve partir de quem genuinamente deseja combater esse sistema maléfico.

A pragmática de Trump se manifesta na cooperação com qualquer governo que sirva aos seus propósitos. O objetivo final não é a filantropia para com a América Latina, mas garantir que a região não prejudique os interesses geopolíticos americanos, seja no combate ao narcotráfico, que afeta diretamente a sociedade estadunidense, seja na disputa por recursos naturais, territórios e influência com a China, a Rússia e o Irã. Negar ao inimigo é tão importante quanto vencer em um confronto direto.
O “pay to play” como estratégia de barganha

Essa estratégia de “pagar para jogar” (pay to play) é exemplificada por laços financeiros nebulosos, como os atribuídos aos irmãos Batista em relação a eventos ligados a Trump. Vale lembrar que esses mesmos lobistas financiaram um filme destacando a biografia de Melania Trump, em um patrocínio de cerca de US$ 20 milhões.

Em suma, ao mesmo tempo que Trump parece disposto a aceitar o que se poderia chamar de “suborno branco”, ele utiliza essas mesmas relações como cartas na manga para futuras barganhas e negociações, em uma postura marcada por um pragmatismo oscilante, sem uma posição ideológica definida, cujos efeitos reais para o destino do Brasil só o futuro poderá revelar.

Fonte: Gazeta do Povo

Luiz Philippe de Orléans

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de D. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de D. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França.

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