
O que leva adolescentes a torturarem um cão com extrema crueldade e deixá-lo agonizando? O nome disso é sadismo, frieza, crueldade extrema, total indiferença à dor alheia.
Orelha, que virou mártir da comunidade da Praia Brava, em Florianópolis, Santa Catarina, era um cão idoso, sem dono, cuidado e protegido pela população local.
Desconhece-se qualquer ataque que tenha feito a algum transeunte ou morador.
Ele era desses que abanava o rabo e ia com todo mundo, em busca de atenção e afago. Um animal sem qualquer ímpeto agressivo, que vivia em casinha feita para animais de rua, junto com outros cães.
Que tipo de motivação teriam então os cinco adolescentes, moradores de Florianópolis, que espancaram e praticaram tortura no cão, a ponto de deixar sua cabeça aberta, com o tecido cerebral exposto, e depois jogá-lo na mata agonizando? Diversão macabra, crueldade, perversidade.
Esse foi o estado em que o cão foi encontrado, em situação tão lastimável que teve de ser levado para clínica para a prática de morte assistida.
A palavra mais apropriada para esse tipo de caso seria zoosadismo, mas só pode ser usada por peritos e não no caso de menores infratores.
Tudo pela proteção de criminosos abaixo de 18 anos e sem evidência de prática recorrente. Mas que é sadismo, não há dúvidas. Ninguém perfura o crânio de outro ser para vê-lo sofrer, se não for por prazer e maldade extrema.
Na sequência do fato surgiram imagens de câmeras dos jovens e o testemunho de um porteiro, que viu parte da cena em que eles incomodavam Orelha.
Segundo consta, parentes dos adolescentes teriam ameaçado o porteiro e outras testemunhas, o que leva a crer que, os pais têm a intenção de acobertar os crimes dos filhos. O que já revela uma psicopatia familiar. Ainda mais quando se trata de uma barbárie do gênero.
A lei é clara quanto a isso: eles podem ser responsabilizados pela não vigilância dos filhos, com a agravante de tentarem acobertar a responsabilidade deles pelos atos praticados.
Alguma coisa não vai bem nessas famílias.
Não foi um ato isolado. Há um relato, ainda não comprovado, de que já houve espancamento de outro cão pelos mesmos delinquentes.
Caso seja confirmado, a reiteração do ato pode agravar o crime de maus-tratos e as penas da lei. Obviamente, pela comoção popular, não só local, mas de todo país, é o que vai acontecer.
Certamente haverá uma ação civil pública, encaminhada pelo Ministério Público, alguma Ong ou entidade civil. A justiça vai cuidar desse caso com critério e haverá penalidades e também indenização por dano moral coletivo.
Esses pais omissos e coniventes, que tentaram intimidar testemunhas, terão que responder pelas atitudes dos filhos, arcar com as custas judiciais, de veterinários, de medicações usadas na eutanásia e tudo mais decorrente do fato.
Em casos de extrema crueldade e repercussão como esse, a indenização pode chegar a R$ 150 mil. Isso não trará Orelha de volta, mas servirá de jurisprudência para casos afins. Nunca se sabe até onde a maldade humana pode chegar.
Só não será possível indenizar a dor causada à comunidade que tinha em Orelha um fiel companheiro, com quem mantinha um afeto genuíno. Nem aliviar o sentimento de revolta das pessoas do resto do país que se comoveram e também estão feridas. Todos querem a punição dos culpados.
Pela lei, de acordo com as agravantes das investigações, os adolescentes podem ser internados, ter que prestar serviços comunitários, entre outras medidas que a justiça vai determinar.
O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, defende a redução da maioridade penal para casos que envolvam a tortura de animais.
Esse é também o desejo da maioria que clama por justiça tanto para crimes praticados contra pessoas, quanto para animais neste país.
Enquanto houver tolerância para com a delinquência juvenil, o crime vai escalar em todos os aspectos. Já o Orelha será uma lenda da Praia Brava para todo sempre.

