3 de julho de 2022
Colunistas Ligia Cruz

A queda anunciada de Biden

Amor com amor se paga. A frase é bonita em novelas e histórias altruístas, mas na política e nos negócios não há os angelicais exemplos das fábulas. Só interesses e negócios.

Nessa ótica, dá para entender o devotado apreço de Joe Biden pela Ucrânia, desde antes de a guerra ser gestada por Vladimir Putin. Foi lá que, enquanto vice-presidente dos Estados Unidos e responsável pelas relações internacionais do governo Obama, ele estabeleceu um “laço afetivo” com o país eslavo.

Para quem não se lembra, há uma denúncia feita por Donald Trump nas últimas eleições americanas. Mais precisamente, sobre uma interferência direta do ex vice-presidente de Barack Obama em assuntos internos daquele país. Mais precisamente, tráfico de influência.

E, agora, Trump, acompanhando a queda na popularidade de seu oponente na Casa Branca, voltou a falar em fatos escusos envolvendo os Biden, pai e filho, também com a Rússia.

Foto: Google Imagens – RTP

Sem contar o fato, Trump sugeriu nesta última semana de março, que Vladimir Putin contasse o porquê de Hunter Biden ter recebido US$ 3,5 milhões da esposa do prefeito de Moscou. O russo não respondeu.

Consta que, Hunter Biden, filho do atual presidente americano, “ganhou” um cargo, como diretor do conselho do Burisma Holdings, empresa ucraniana de gás. Isso ocorreu no período de 2014-2019, quando seu pai exercia o posto de vice, do segundo mandato de Obama. Mas teria se beneficiado também de outras “consultorias” que fez em outros países também por interferência direta do então vice-presidente americano, seu pai.

O assunto só veio à tona, tempos depois, porque Hunter teria esquecido um laptop que deixou para conserto numa assistência técnica, não voltou para retirar e não pagou a conta.

Após muito esperar, o técnico decidiu acessar o conteúdo do HD e se deparou com correspondências comprometedoras, ligando o dono, ao sistema de corrupção ucraniano e vários atores de maracutaias. As informações foram parar nas mãos de Rudolph Giuliani, ex-prefeito de New York e advogado de Trump.

A notícia foi veiculada primeiramente no jornal New York Post e depois no Washington Post, em 2020. Aliás, esse foi o motivo do primeiro pedido de impeachment do então presidente republicano Donald Trump, sob a alegação de que estaria propagando notícias infundadas. Mas não deu em nada porque insistir no assunto seria pior. Só teria um jeito, derrotá-lo nas eleições.

Há investigações feitas também no senado americano sobre o suposto fato de Joe Biden ter defendido interesses comerciais do seu filho junto ao governo ucraniano e, pior do que isso, “pedido a cabeça” do principal promotor anticorrupção daquele país. Lá não é o Brasil em que tudo vai para baixo do tapete. Porém, ir a fundo são outros quinhentos.

O promotor e ex-procurador geral da Ucrânia, Viktor Shokin, estava investigando casos de corrupção na Burisma e, se ele metesse a mão nesse vespeiro, certamente, descobriria o filho do vice-presidente americano na cena do crime.

O presidente da vez na Ucrânia era Petro Poroshenko e, por pressão da Casa Branca, teria afastado o procurador do estado do posto, para que atos corruptos não viessem a público.

Enquanto presidente dos Estados Unidos, Trump teria pedido a Volodymyr Zelensky, apoio para divulgar as irregularidades de Hunter Biden por lá. Pelo visto, este, guardou o ás na manga para outro momento e Trump ficou na berlinda.

Só que é difícil sumir com os rastros, pois quase sempre permanece o histórico de alguma pista mal apagada. Até porque todo sistema corrupto envolve dinheiro e o lastro é bem comprido.

Na ocasião em que o velho Biden era o número dois de Obama, a embaixada dos Estados Unidos em Kiev “ teria sugerido ” também ao vice-presidente Biden, durante visita realizada àquele país, em 2015, entregar o montante de US$ 1 bilhão em garantias de empréstimos para ajudar o programa de reformas constitucionais da Ucrânia.

Pelo sim e pelo não, este foi o custo do favorzinho ao filho do segundo no escalão do governo dos EUA. Resta saber se o valor foi repassado a título de resguardar a democracia do vizinho de Moscou.

Naquela ocasião, em discurso no parlamento ucraniano, Joe Biden se dirigiu aos presentes com um discurso sobre “o câncer da corrupção”, como se, supostamente, usar o cargo para negociar um mega emprego para o filho problemático e pagar a conta com o dinheiro do povo americano fosse algo normal e lícito. Apenas um raciocínio.

Óbvio que as reportagens da época sumiram da mídia e das redes sociais.

Quando se faz a busca, por informações sobre Hunter Biden e sua passagem pela Ucrânia e em outros países, como consultor, simplesmente desapareceram. Afinal, Trump é o falastrão de direita e estaria magoado pela derrota nas eleições presidenciais e Joe Biden é um velhinho risonho e progressista, vítima das farpas do perdedor. Tadinho.

Agora, Trump fica mandando recados para que Putin conte a história toda. Como Biden tem a caneta na mão, toda semana ele aprova recursos generosos para Volodymir Zelensky continuar sua saga insana contra o comunista de Moscou.

Resta saber se Biden vai terminar o mandato, pois sua popularidade está naufragando. De todo o imbróglio, não é difícil imaginar que há muito de verdade na história toda.

Como último recurso, o ex-vice e atual presidente continua armando arapucas e incentivando guerras mundo afora. E perdendo cada vez mais crédito, a ponto de recorrer à Venezuela e ao Irã, para frear a escalada dos preços dos combustíveis em seu país.

E as sanções à esses países? O Irã já provou que vive sem os EUA.

Só que Biden não é o Obama, não tem, digamos, a verve ou mesmo carisma.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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