2 de julho de 2022
Junia Turra

Os candidatos otários e tietes: a principal atração do Circo Político Brasil

Na esperança de entrarem na política porque não tem expectativas maiores em suas devidas áreas, ou por acharem que vão mudar tudo, eles viram micos amestrados. Não estou falando de candidatos analfabetos, sem diploma, falo de todos, até com títulos e currículo no exterior.

Ficam deslumbrados por fazerem parte do “filme”, mas nem são coadjuvantes.
Meros figurantes e fãs…
Isso, fãs! Pior do que torcedor de futebol fanático, porque pelo menos o torcedor entende o jogo.
E se ignoram juiz ladrão, sabem sim que ele roubou. Mas, se o time ganhar, vamos adiante!
Já o candidato figurante…
A propaganda dele é pobre, tem que se virar para os segundos que leva no horário eleitoral. E a mídia quem faz é ele. “Seguimos as regras do partido”. Sim, tem que repetir quem são os cabeças, os que na verdade, interessam ao esquema, seja de que partido for: o candidato a presidente, a senador, e claro, tem os deputados federais e estaduais que vem no pacote.
O resto é figuração e para a rabeira, o que fica ali na representatividade do Estado.
Decoram o histórico do chefe da tribo que precisa se eleger. Histórico que vem pronto e eles juram mesmo que é aquilo.
Tipo cão de guarda: latem e até mordem quem ousar dizer que um pingo não é letra.
Ah, os mais hilários estão em dois partidos: o PODEMOS, de Álvaro Dias e o NOVO, do… como é mesmo o nome do bom pai, bom filho e bom vizinho?
Tenho salvas as fotos desses figurantes na festa maior de ambos os partidos, feita em clippings de profissionais da imprensa.
Fiquei na dúvida se devia rir ou chorar.
Lembra aqueles filmes de atentado terrorista, ou tragédia natural em que têm aquele tanto de figurante correndo nas ruas.
A coisa seria cômica se não fosse trágica: pedem foto com os candidatos principais… até autógrafo. Isso, seja do candidato que vem pra dividir, o batminha sem capa, Amoedo, ou o filho do Covas, candidato ao senado por SP, pelo PODEMOS. Dos tais partidos do “vamos dividir e vamos migrar” ou a nossa mamata vai acabar.
Ah, mas como é a campanha do candidato que importa para o patrocinador?
O que tem o vídeo no esquema emotivo, vai da infância mais simples, passa pela parentada próxima, tem um vizinho, um amigo e chegou lá.
Da casa mais humilde para a conquista…
Música, câmera lenta e as cores, o bate-estaca do partido, da legenda. Tudo perfeito, edição, ele olha para o telespectador ou está ali inserido na “historinha da carochinha” que contam dele. Passa longe do amadorismo. Mas muuuuuuito longe!
Já o candidato que anima o circo e é o cão de guarda do partido e dos figurões (conhecidos ou Zé ruela): olha pra cima, para o lado, gesticula, o texto é bobo, não sabe nada de ” marketing político”. É um mico total!
Pelo menos mico que não escolhe classe social. Mas é triste…
E a edição? Existe? Nem o velho corte seco funciona.
A postura… O fundo que escolhem, a roupa.
E quando cismam de enfiar mapinhas e gráficos?
O pior… não percebem que são os maiores palhaços do circo. Pagam pelo pão com mortadela e a coxinha, achando que a coisa será outra coisa. E nem tente convencê-los do contrário: eles tem certeza absoluta! E querem ensinar Física a Einstein. Sabem nada de Relatividade. E salve Guimarães Rosa, ainda bem que nós que conhecemos o circo apenas “desconfiamos de muita coisa”.
“Deixai se lascai”
PS. E não vem com a conversa de que o Novo é Novo… entendeu ou quer que desenhe?

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Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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