23 de maio de 2022
Joseph Agamol

O que a Marvel nos ensina sobre a guerra cultural que vivemos


Vocês sabem o que é uma Comic Con, amigos e vizinhos? O nome indica ser uma mera convenção de quadrinhos, reunindo nerds espinhentos para discutir gibis da Marvel e da DC.
Quando surgiram, na década de 70, eram exatamente isso.
Mas, com a popularização do gênero “cinema de super herói”, graças ao mega sucesso de “Homem de Ferro”, da Marvel Studios, em 2008, as Comic Cons – sim, porque há dúzias delas, espalhadas pelo mundo – passaram a absorver e refletir esse êxito, transcendendo os estreitos limites dos quadrinhos e tornando-se fenômenos de comunicação global.
Hoje, uma Comic Con é um mega evento reunindo cinema, cultura pop, TV por assinatura, jogos, tecnologia, comércio de itens ligados à cultura geek… enfim, um fenômeno cultural que antecipa tendências que serão consumidas planeta afora.
Eu estive na segunda mais importante, a New York Comic Con. Mas a principal de todas é a de San Diego, que terminou ontem.
E, dentro da SDCC, o evento mais aguardado – pela qualidade de estrelas de primeira grandeza que comparecem e pelas novidades que antecipa – é o painel da Marvel.
E, como é de praxe, foram feitas revelações sobre o futuro dos heróis no cinema após “Vingadores: Ultimato” ter encerrado um ciclo de dez anos.
Talvez a principal “novidade” – assim, entre aspas, porque o que foi revelado ou subentendido é o corolário de um processo global já em andamento – é a substituição do chamado “padrão homem branco”:
Os novos heróis a assumir o protagonismo serão os membros das chamadas “minorias”.
Acho ótimo e justo que o cinema reflita as novas tendências de uma sociedade cada vez mais múltipla. Aplaudo de pé personagens mulheres, gays, asiáticos, negros.
O que essa tendência parece revelar, porém, é que esse novo mundo não parece estar em busca de “igualdade”. Não.
A mim, parece mais uma guerra de conquista e dominação, substituindo o “inimigo”.
E o “inimigo” a ser combatido e conquistado é branco, heterossexual, cristão.
Caso vocês achem que estou exagerando, é só observar os sinais ao redor, o mais recente a substituição do icônico agente 007 por uma mulher.
Para esses ideólogos da Nova Era, não seria o bastante criar novos personagens que se adequassem à nova e plural sociedade: isso seria a busca por igualdade, mas não é em convivência pacífica que eles estão interessados.
Por isso que é necessário subjugar o “inimigo” e submetê-lo à humilhação de ter seus símbolos subvertidos.
É assim que, por exemplo, o Thor será agora também uma mulher: Lady Thor. E, para facilitar o processo, transformaram o herói, antes altivo e orgulhoso, em um zé-ruela bêbado e chorão no último filme da série “Vingadores”.
Tudo são símbolos, amiguinhos.
É dessa forma que uma guerra cultural é travada.
E adivinhem só: vocês estão BEM NO MEIO DELA.
(E vocês achando que era só coisa de nerds, gibis e bonequinhos, né? Tsk, tsk…)

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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