21 de maio de 2022
Colunistas Ilmar Penna Marinho

O crime não resolvido que a história não esquece

No dia 22 de novembro de 1963 um crime em Dallas, no Texas, abalou o mundo: o atentado mortal contra John F. Kennedy.

É o 4º presidente americano assassinado.

A lei americana exigiu que todos os registros do governo sobre o crime fossem divulgados “para permitir que o público fosse totalmente informado”.

Após múltiplas investigações e tendo-se liberado o acesso a cerca de 90% dos documentos oficias sigilosos, surgiram diversas teorias de conspiração, contestando o veredito oficial de que o ex-marinheiro Lee Oswald era o único responsável pelo homicídio.

O presidente Joe Biden já prometeu liberar mais documentos secretos.

Passaram-se quase 70 anos e o tenebroso episódio ainda suscita curiosidade e controvérsia.

Na longa trajetória política do Brasil o destaque merecedor de registro é a obscura tentativa de homicídio contra um candidato ao Planalto em plena campanha eleitoral.

Foi esfaqueado quando era carregado em meio à uma multidão de fieis apoiadores.

Até hoje só se encontrou uma única evidencia: o autor responsável é Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, que foi preso em flagrante e que confessou ter realizado sozinho o ataque “a mando de Deus”.

No processo criminal aberto, constam 3 laudos periciais, que atestam o homicida “ter uma doença mental”.

Em 16/06/2020, o Exmo. Juiz da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG) determinou o arquivamento provisório do inquérito que apura a possível participação de terceiros no atentado contra o então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, tendo concluído que Adélio “agiu sozinho, por iniciativa própria e sem ajuda de terceiros, tendo sido responsável tanto pelo planejamento da ação criminosa quanto por sua execução.”

As investigações do inquérito foram desqualificadas, tidas como “negligentes”, por não terem apresentado uma contraposição alternativa, que contestasse e desacreditasse a única conclusão do inquérito de que tudo partiu “da cabeça do Adélio” e que teria agido sozinho.

A própria vítima do atentado, o Presidente Jair Bolsonaro. eleito democraticamente, não se conformou com o “final da linha” de que o assassino “seja um lobo solitário com três advogados e quatro celulares”.

Como o juiz responsável pelo caso tinha também decidido que o inquérito poderia ser reaberto se surgissem novas provas, novas diligências foram autorizadas e estão em curso.

A PF já confirmou que vai apurar as informações fiscais e as imagens do circuito interno de TV do renomado escritório de advocacia que defende o “único suspeito”.

A comemorada reabertura do inquérito foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília, para apurar “todas as circunstâncias do atentado a Bolsonaro, ocorrido durante a campanha de 2018 e arquivado desde 2019”.

Ainda que a PF já concluiu, duas vezes, que Adélio agiu sozinho no atentado, a PF não explicou direito como pode um “garçom” solitário pagar os honorários dos renomados advogados e, por isso, deveria ser apurado quem pagou “no final da linha” a conta do criminoso episódio, que envergonha a democracia brasileira.

Paira no ar a célebre a frase de Nicolas Maduro, fiel a si mesmo: O que não conquistaremos com os votos, conseguiremos com as balas. Quiçá com facadas…

Que Deus ilumine a Justiça para que a impunidade mais uma vez não vença a espernaça de se construir um Brasil Melhor.

Advogado da Petrobras, jornalista, Master of Compatível Law pela Georgetown University, Washington.

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