22 de julho de 2024
Colunistas Ilmar Penna Marinho

Ninguém esquece as águas de 31 de março de 1964

A letra da canção “Águas de Março” de Tom Jobim traz uma profunda reflexão em tempos de enfrentamento de duas guerras: a da pandemia e a da invasão da Ucrânia. iniciada em março.

“… são as águas de março fechando o verão”…

Em 2001, 214 jornalistas, músicos e outros artistas do Brasil a elegeram como a melhor canção brasileira de todos os tempos (Folha de S.Paulo).

Os versos: “É o fundo do poço, é o fim do caminho” rememoram um passado esquecido?

Sob o patriótico comando de Roberto Marinho, o jornal OGLOBO, no dia seguinte a 31 de março de 1964, em defesa da democracia e de um Brasil de “Ordem e Progresso”, publicou na 1ª página um histórico editorial com um glorioso título e um magistral texto:

“RESSURGE A DEMOCRACIA!

“Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções. Pois os negócios públicos não mais serão geridos com má fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que, celeremente, se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos.

Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina que ele permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luta. Sejamos dignos de tão grande favor”.

Neste aguerrido ano eleitoral de 2022, o editorial “queira ou não queira” traz à memória as águas de março de 1964 e a saída “do fundo do poço” para um Brasil verde-amarelo.

Não se trata de panfletar o episódio jornalístico com vistas a incentivar uma aventura militar.

Ao contrário, é uma reflexão de como reagir contra os atuais inimigos da pátria, que se negam a fortalecer a democracia através da união e da pacificação.

É um habeas corpus contra os decisórios dos Supremos Togados, que de guardiões da Constituição viraram seus algozes.

É o grito do “Basta!” aos políticos que desonram seus mandatos e conspiram contra a estabilidade institucional, aliando-se a candidatos, cujo passado os condena.

É o caso do ex-presidente Lula, um ex-presidiário, solto por escandalosa decisão do Supremo, que após arquivar politicamente a prisão em 2ª instância e a ficha suja, o ergueu candidato presidencial, recebido com ovos nas ruas.

O Lula-livre é apoiado por grupos políticos desunidos e empresários que aspiram se beneficiar com a volta da corrupção impune e a certeza de que o crime compensa.

Cresce o repúdio público ao “GloboLixo” com suas narrativas ideológicas que cultuam o ódio e o negativismo, através da desinformação e de notícias falsas, recrudescidas em 2022 para desacreditar a reeleição do Chefe do Executivo e semear a desarmonia entre os Três Poderes.

As águas de março vão fechar o verão e fertilizar soluções para a confiabilidade das eleições, após a rejeição popular às urnas eletrônicas, divinizada pelos Super Togados.

Que o “ressurgir da democracia” do Editorial de 1964 do OGLOBO incentive a Nação a confiar na vitória da luta contra a pandemia e na pacificação, capaz de viabilizar o cessar-fogo na Ucrânia e de garantir o trâmite pré-eleitoral.

Que “todos os patriotas”, convocados no histórico Editorial, possam reviver “dias gloriosos, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opiniões… para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem”.

Que Deus proteja o Brasil das águas de março para serem “a promessa de vida no teu coração”.

Ilmar Penna Marinho Jr

Advogado da Petrobras, jornalista, Master of Compatível Law pela Georgetown University, Washington.

Advogado da Petrobras, jornalista, Master of Compatível Law pela Georgetown University, Washington.

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