VW Golf GTE sai das lojas e vai para as locadoras

A Volkswagen divulgou esta semana que, por meio de uma parceria com a empresa de locação de automóveis Unidas, vai colocar à disposição do público para aluguel em três cidades – Brasília, Curitiba e São Paulo – uma pequena frota de seu primeiro modelo híbrido à venda no país, o Golf GTE. Os carros (nas fotos), que já começaram a ser distribuídos e estarão disponíveis nas próximas semanas foram produzidos na Alemanha, de onde vieram por importação oficial. Tive a oportunidade de guiar esse modelo em sua versão 2014 (com a mesmíssima mecânica e sistemas praticamente idênticos), inclusive em autoestradas alemães, e você pode conferir minhas impressões, já postadas aqui no blog, neste link.

Resumindo, o carro é muito bom, gostoso de dirigir e proporciona uma economia significativa de combustível: – a combinação – e alternância – entre o motor 1.4 turbo e o elétrico dão a ele uma autonomia que pode ultrapassar os 900 km. Além disso, é bastante prático de usar, podendo ser recarregado facilmente em qualquer tomada de energia e, claro, abastecido em qualquer posto de combustível. E é um Golf, modelo que, nesta geração em particular, beira a perfeição.

Mas – é, lá venho eu com um “mas” – acho que vale fazer aqui um comentário que não combina muito com esse paraíso marquetológico todo dos releases e anúncios. É o seguinte: esses carros que, agora, estão sendo distribuídos a essas locadoras fazem parte de um lote de 99 unidades, trazidas no ano passado pela montadora e oferecidas como “série especial” pelo módico valor de R$ 200 mil. Bem mais caro do que o que era pedido pelo modelo 2019 da versão só a gasolina GTI de 230cv, que andava muito mais e custava cerca de R$ 140 mil (mas saiu de linha no ano passado).

Daqueles 99 GTEs, apenas cerca de 20 unidades (estimativa de um amigo com informações privilegiadas) foram vendidos. Ou seja, esses carros, que agora vão poder ser alugados por curitibanos, paulistas e brasilienses fazem parte do que, tecnicamente, podemos chamar de um encalhe. O motivo desse mico comercial começa, claro, com o preço – infelizmente, em nosso mercado a percepção do valor dos carros híbridos e da tecnologia como um todo ainda não se traduz em valorização suficiente para fazer com que a imensa maioria dos consumidores pague mais por isso. E passa, também, pela opção da montadora por não fabricar nem vender mais o Golf em outras versões em nosso país.

Até 2019, a geração anterior do Golf – da qual fazem parte essas unidades híbridas – era produzida também aqui no Brasil. Mas, enquanto uma nova geração do carro foi lançada na Alemanha no ano passado, aqui, o carro saiu de linha, sem previsão de volta, vitima da predileção local pelos SUVs. E, de lá pra cá, a VW brasileira passou a investir – com sucesso – no lançamento desse tipo de modelo mais alto. A confiança do consumidor em adquirir uma versão extremamente sofisticada de um modelo descontinuado, claro, caiu vertiginosamente, também, junto com seu valor de revenda.

No final das contas, para quem curte carros e tem vontade de conhecer a tecnologia embarcada no GTE “in loco”, a possibilidade de alugá-lo por um dia ou dois acaba sendo muito interessante – e bem mais viável que ter de comprá-lo. E, se vocês querem saber, a minha bola de cristal (não é lá muito confiável, mas…) me aponta para um futuro não muito longínquo (até uns cinco anos, talvez menos) em que a mesma VW vai passar a produzir modelos elétricos e, principalmente, híbridos aqui no Brasil. Há, inclusive, rumores de que a linha elétrica que já conta com os modelos ID – já foram lançados um hatch, do porte do Golf, e um SUV, do tamanho do Tiguan – pode chegar aqui antes mesmo disso.

Segundo o presidente da Volkswagen Brasil e América do Sul, Pablo Di Si, a empresa planeja ter em seu portfólio nada menos que 80 modelos elétricos entre 2026 e 2027 – e, para chegar a tanto, já está começando a lançá-los. A nossa vez nessa panorama vai depender mais da situação política e econômica e da infraestrutura de nosso país que da vontade da montadora.

VW Golf GTE que dirigi na AlemanhaVW Golf GTE que dirigi na Alemanha
Henrique Koifman

Alguns números do GTE:

Autonomia em modo elétrico: 50 km, autonomia total: até mais de 900 km

Motores: um a combustão de 1,4l TSI com 150 cv e um motor elétrico de 75 kW (102cv). Combinados, oferecem potência de 150 kW (204 cv).

Performance: com motores combinados, de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos e velocidade máxima de 222 km/h.

Fonte: Blog Rebimboca

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