18 de agosto de 2022
Colunistas Fernando Gabeira

Diário da crise XXVIII


Na posse do novo ministro da saúde tinha muita gente sem máscara, se abraçando, em contradição com as regras da OMS.
A saída do antigo ministro, Mandetta, também foi marcada por abraços e cantoria, sem nenhuma preocupação com a segurança antiviral.
Pesquisas mostram que mais da metade dos brasileiros não cumprem as regras básicas de proteção contra o coronavírus.
Especialistas acham que muitas coisas acontecem por causa da subnotificação. Meu palpite é de que a invisibilidade do vírus também desempenha um papel.
Somos gregários, indisciplinados, construímos um terreno fértil para o coronavírus. Leio sobre a situação do Peru e vejo que lá têm os mesmos problemas.
O Peru é o segundo país em número de casos na América Latina, perdendo apenas para o Brasil. Há o caso de um policial que pediu licença por sentir sintomas da Covid19 e foi encontrado bêbado numa praça.
Por isso é difícil apenas abrir leitos e comprar respiradores. Além dessa indisciplina cultural, o chamado distanciamento enfrenta outras dificuldades.
Nos Estados Unidos, com o apoio de Trump, têm havido várias manifestações pela volta à vida normal, independente de alcançadas as condições de segurança para isso. Michigan, Minnesota, Texas, a corrente política mais conservadora sai às ruas para protestar.
A ideia de que um inimigo comum dessa natureza provocaria uma sólida aliança nacional é uma ilusão tanto aqui como nos EUA.
Nossa realidade, entretanto, é mais difícil. Além de uma oposição política ao isolamento, defendida por Bolsonaro e seus seguidores, ainda há essa indisciplina difusa, essa descrença no perigo da pandemia.
Ainda assim, creio, atravessaremos o deserto.
Fonte: Blog do Gabeira

Jornalista e escritor. Escreve atualmente para O Globo e para o Estadão.

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