Diário da crise XXIX

Escrevi um texto no domingo e fui ler alguns textos. Só agora me dei conta de que Bolsonaro foi à manifestação pelo golpe militar diante de uma instalação do Exército. Ultrapassou os limites da lei. É preciso uma resposta unificada, segura, sem perder nunca de vista o momento de pandemia em que vivemos.

Muitos vão falar apenas na derrubada de Bolsonaro porque veem o mundo apenas pela ótica do poder. É preciso combinar as coisas. Como agir para evitar o maior número de mortos? Como impor a lei e e ao mesmo tempo não perder energia no combate ao corona vírus? Bolsonaro quer por fogo no país. É preciso derrotá-lo também nesse propósito.

De qualquer forma, ai está o texto de domingo, escrito antes da manifestação.

Hoje domingo alguém me desejou bom dia no Instagram. Respondi bom domingo e pensei: será que não cometi uma gafe? Todos os dias são iguais na quarentena?

Na verdade, não são. Mesmo para alguns trabalhadores essenciais, há domingos de folga.

Lembro-me dos domingos de antigamente quando uma ou outra doença me prendia em casa. Era diferente. Podia imaginar os amigos nos seus passos habituais, um mergulhando, outro tomando chope, garçonetes passando ligeiras com a batata frita, torcedores com bandeiras marchando para os estádios de futebol.

Hoje é diferente. Quase todos estão em casa. Só é possível imaginar lugares desertos e desolados.

Tirei o domingo para dar uma olhada no que se passa no mundo. Coisas incríveis se passando. Em Bangladesh, 100 mil pessoas foram ao enterro de um líder político morto. Não houve quem os obrigasse a manter distância. Uma bomba biológica. No Paquistão, grande parte da guarda palacial foi contaminada, a Inglaterra não consegue liberar na Turquia os equipamentos de proteção.

Mas há boas noticias também. A Noruega conseguiu sair da crise, vai recomeçar com cuidado. Para isso lançou um aplicativo de saúde, onde as pessoas indicam seu estado geral. No primeiro dia, um milhão de aplicativos foram baixados. Servirá também para rastrear a contaminação e avisar às pessoas que tiveram contato com alguém atingido pelo corona.

Sei que há muita reserva em abrir mão de dados pessoais. Mas nos casos em que exista concordância, não há quebra de privacidade e sim uma troca de informações.

Desde o princípio da crise, ali pelo carnaval, já imaginava soluções desse tipo. Afinal é um vírus na era digital e no Brasil quase todo mundo tem o seu telefone celular.

A saída do Ministério da Saúde de usar os telefones para mapear a situação das pessoas talvez seja mais adequada pois nem todos podem baixar e usar facilmente um aplicativo.

Uma solução adicional que propunha era também voluntária para que não houvesse reservas sobre privacidade ou liberdade individual: termômetros virtuais. É possível ter ideia de como está a temperatura de milhões de pessoas.

Andei lendo também sobre o curso das vacinas. Não há noticias animadores, exceto uma: o Brasil é dos países do mundo com mais capacidade de produção de vacinas.

Já os testes avançam em toda linha. Um grupo chamado Mount Sinai Innovation Partners aprovou em Nova York e vai difundir pelo mundo um novo teste para detetar anticorpos contra o corona vírus.

O grupo é dirigido por um brasileiro, Felipe Araújo, e se dispõe a compartilhar a tecnologia gratuitamente com o mundo.

Bem jé tarde, hora que as piscinas se fecham, a praia esvazia e os jornalistas no passado brigavam animadamente sobre cada lance da partida que acabou.

Amanhã recomeçamos. Segunda é dia de trabalho.

Fonte: Blog do Gabeira

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