Diário da crise CDXLVIII

Hoje é sábado, dia de manifestação em pelo menos 17 cidades do país. A novidade que se apresenta agora é a ampliação para o centro e para a direita de um movimento que parecia muito concentrado na esquerda.

Vai se formando nas ruas, a frente para combater Bolsonaro, sobretudo agora que ele é acusado não só de matar na pandemia pelo negacionismo e devastar a Amazônia mas também de ter um governo corrupto.

Ainda estamos vivendo problemas com as vacinas. Primeiro, veio essa notícia, descoberta por pesquisadores, de que 26 mil doses vencidas da Astrazeneca foram aplicadas no Brasil.

Isto traz uma insegurança para quem tomou a vacina, aliás a maioria dos brasileiros foi vacinada com a Astrazeneca, inclusive eu.

As vacinas da Johnson enviadas para Brasília chegaram congeladas e indisponíveis para o uso. Aliás, essas vacinas doadas pelos Estados Unidos ficaram esquecidas alguns dias por falta de articulação entre Ministério da Saúde e Anvisa.

Hoje foi um sábado de sol. Nas pequenas coisas do cotidiano, vejo o mundo voltar um pouco a ser o que era. A Boca Maldita, um lugar do Flamengo ocupado pelos sócios mais velhos andou vazia durante todo o ano. Só os gatos dormiam sobre as mesas e cadeiras e alguns fotografei para o Instagram.

Hoje os velhinhos voltaram. Continuam de máscara mas ganharam confiança para se reunir.

A PF teve todos esses anos para indiciar o senador Renan Calheiros. Decidiu fazer isto agora, precisamente, quando ele assume a relatoria da CPI da Pandemia.
Sempre fui adversário de Renan Calheiros e o incomodei bastante quando passei pelo Congresso. Mas é evidente que indiciá-lo agora significa retaliação pelo trabalho da CPI.

Não revela apenas que a PF está sob controle de Bolsonaro, mas que o próprio Bolsonaro está sem controle de si próprio, caso contrário não autorizaria uma manobra tão evidente.

Vai chegando o fim de semana. Terminei ontem de ver uma série sobre um campo de refugiados na Austrália. Interessante porque se baseia em histórias reais. É um documentário sobre sofrimento humano e solidariedade. A série se chama Stateless.

Domingo é dia de ler jornais estrangeiros e tirar algumas horas para completar leituras. Estou avançando no livro O Sonho do Celta, de Mario Vargas Llosa. O personagem está na África, viajando com Henry Mortan Stanley, o jornalista e viajante que foi atrás do Dr. David Livingstone.

Gosto dessas viagens rocambolescas, sempre financiadas secretamente ou não por ambiciosos governos.

O personagem principal do livro é o irlandês Roger Casement que ao conhecer a violência da colonização na África acabou se tornando um rebelde contra o próprio governo.

Coisas de fim de semana. Quem não gostaria de se livrar de Bolsonaro e toda essa situação política brasileira por algumas horas?

Fonte: Blog do Gabeira

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