Diário da crise CDXLI

Estamos vivendo a ressaca de um grande dia na CPI. O que fazer com as informações obtidas ali? De novo, reabre-se a discussão: impeachment ou deixa sangrar?

Creio que as duas saídas não são antagônicas, o impeachment, independente de seu êxito, é uma forma também de fazer sangrar, enquanto dura o processo. A referência foi o caso de Trump que escapou mas chegou bastante enfraquecido às eleições.

Não há dúvida de que esse contrato da compra de 20 milhões de doses da Covaxin era problemático. A tentativa de arrancar US$45 milhões de adiantamento foi o sinal de alarme, dentro de toda a pressão que os funcionários sofriam para fazer andar uma transação irregular.

Não há dúvida que Ricardo Barros estava envolvido. Disse isso na tevê, algumas horas antes do deputado Luis Miranda confessar na CPI.

Barros fez a emenda que permitia a vinda da vacina, apenas com a aprovação de autoridades indianas. Barros fez negócios com a Global, antiga face da Precisa, empresa que vende a Covaxin, e foi dado um cano no governo. Há processo em curso, depoimentos de funcionários.

Bolsonaro mencionou Barros sabendo que estava implicado, mas semanas depois nomeou a mulher do deputado, Ana Aparecida, para um cargo na Itaipu, com salário de R$27 mil com a missão apenas de estar presente nas reuniões do Conselho, no máximo uma vez por mês.

Bolsonaro silenciou sobre o escândalo da Covaxin e ainda premiou o deputado que considerava o maior suspeito.

Diante de todos esses fatos, abre-se uma nova etapa em que o prestígio do presidente cai mais baixo ainda , os movimentos de rua crescem, e a oposição parlamentar pressiona o STF por uma resposta.

É hora de começar a pensar um pouco no futuro. Num artigo que publiquei na sexta e outro que sai na segunda, estou enveredando por esse caninho.

Os fatores que levaram Bolsonaro ao poder ainda estão por aí, no desencanto com o sistema político, na falta de oportunidades econômicas, na inoperância do estado.

Um dos artigos intitula-se Por uma democracia vacinada. E é apenas o início de uma reflexão sobre como construir uma estabilidade democrática que não dê margem mais para aventureiros de extrema direita tomarem o poder. A extrema direita continuará existindo, não há dúvida. Mas, como em alguns outros países, deve ficar restrita às suas modestas dimensões, isto é aquilo que realmente representa.

Foi um belo sábado de sol por aqui. Espero que tenha sido também em muitos lugares do Brasil.

Fonte: Blog do Gabeira

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