16 de agosto de 2022
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Emoções desencontradas

Ando exausta do politicamente correto. Por causa de tanto mimimi, o mundo está emburrecendo dramaticamente. Imaginem só: o diretor norte-americano Spike Lee anunciou boicote ao Oscar porque não há artistas negros indicados para nenhum prêmio.
Spike
Quem sabe, este ano, os atores negros não se destacaram tanto assim? Acontece, faz parte da vida. Precisa armar um circo, como se fosse obrigatório todos os anos os representantes das minorias serem condecorados por algum trabalho, mesmo que ele não tenha sido grande coisa? Que chatice, meu Deus. Agora, tudo é racismo, tudo é homofobia, tudo é fascismo. Não se pode dizer nada sem o julgamento alheio.
Ano passado aconteceu a mesma coisa: nenhum ator negro (ou atriz, não quero que me acusem de preconceito de gênero) foi indicado. OK, prefiro acreditar que eles, os afrodescendentes, são em menor número em Hollywood – simples estatística – e, por mero acaso, há dois anos nenhum fez uma personagem que mereça destaque.
Mr. Lee enviou uma carta para os organizadores da festa e a reproduziu nas rede sociais. Ando completamente sem paciência. O bilhete é gentil e melancólico, como se o tivessem exilado na África, Terra-Mãe, e nunca mais ele pudesse acessar o conforto norte-americano.
Claro, se dá audiência, logo aparece quem pegue carona. No caso, a atriz Jada Smith, mulher do ator Will Smith. A sra. Smith já tratou de comunicar que também não comparecerá à grande festa do cinema por não frequentar “ambientes racistas”.  Aguardem, senhoras e senhores, estão saindo das tocas – aflitos atrás dos flashs –  os WASPs politicamente corretos dispostos a oferecer apoio à esta idiotice explicita.
Não sou contra nem a favor de ninguém, todo mundo merece respeito e coisa e tal. Mas já está enchendo este papo de todos controlarem todos, todos censurarem todos e  tudo ser errado. Pessoalmente, cansei. Desejo que os seres pensantes voltem à realidade.
Estava eu mal humorada, escrevendo sobre a indigência mental humana, quando, subitamente, o mundo sorriu para mim e meu coração derreteu. Muita emoção. Recebi a notícia de que a Anna entrou em minha vida.
Minha primeira bisneta, apesar de eu só ter 32 anos. Moreninha, rechonchuda, gostosa.  A cara da avó, que é minha filha.
Às vezes, a vida é escancaradamente generosa.
Estou para lá de feliz.

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