1 de maio de 2026
Adriano de Aquino

Situação sombria

A situação política está sombria e a perspectiva de ‘abertura’ – para usar um termo corrente nos anos 60/70/80 – me parece muito distante.

Minha sensação é similar à do período do regime militar.

A posição das FFAA, em se manter equidistante da crise constitucional, pode parecer neutra mas de fato não é. É uma atitude velada de apoio ao regime.

A preponderância do STF em matéria política, mais a aliança dos veículos da grande imprensa, somados ao ativismo dos sindicatos e de setores da elite intelectual e financeira é uma representação invertida, similar a da chamada ‘burguesia’ nos pactos que garantiram longevidade ao regime militar.

Se hoje, como outrora, eu tivesse 27 anos, quando me mandei para a Europa, estaria agora fazendo preparativos pra me mandar daqui.

Este é um dilema da consciência que se traduz em crise existencial.

Hoje, aos 77 beirando 78, sei que posso me refugiar na minha individualidade, cercado de afeto e amigos queridos. Contudo, ainda me sinto latente, mesmo com limitações de ordem física, o desejo de liberdade e justiça que, queiramos ou não, se expressa no social.

Nunca senti atração pelo exílio como afastamento real do meu ser regional. Invejava meus amigos estrangeiros e até alguns brasileiros que se desligaram da nacionalidade e se tornaram cidadãos legais no país que escolheram viver para sempre. Constituíram família e naturalizaram.

É o caso da minha irmã, que foi para França quando eu morava lá nos anos 70. Casou, fez família e é cidadã francesa.

Não sei porque diabos não consigo abandonar minha categoria nacional, mesmo sabendo que o Brasil tem uma atração fatal pela conivência com o poder dominante.

Sua elite é farsante e se sente realizada com fábulas sobre direitos e democracia.

É deslumbrada, covarde e, se bem remunerada, se ajusta, docilmente, à submissão.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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