30 de abril de 2026
Adriano de Aquino

O Supremo adotou a jurisprudência da autodefesa… para si

A reação do presidente do Supremo às notícias negativas sobre a atuação da corte brasileira publicada pela revista The Economist, circunscrita aos veículos do consórcio da grande imprensa brasileira, potencializam a divulgação do que já é ruim, para muito além dos leitores habituais da publicação inglesa.

Pode-se forjar a opinião pública por um tempo, mas um dia as caldeiras perdem poder e o que parecia cinzas volta ao estado bruto.

Na perspectiva do regime em curso, em conluio com veículos da grande imprensa, a urgência em regulamentar as redes sociais, que preocupava o cidadão brasileiro sobre as consequências da censura prévia para a liberdade de expressão, acabou acendendo a luz vermelha no painel da comunidade internacional de comunicação.

O que parecia um assunto doméstico fácil de resolver através da coerção, tomou outro rumo.

A opinião pública é flexível. De repente reage com vigor às intimidações impopulares e inaceitáveis.

Um exemplo disso, a nível de bairro, aconteceu recentemente no Leblon, bairro do Rio de Janeiro onde surfa a onda progressista carioca.

Sérgio Cabral, que ostentava vitória contra 400 anos de condenação concedida pela corte, se sentindo um dos 300 de Esparta, decidiu encarar a opinião pública.

Cheio de si, inscreveu-se numa academia do bairro.

No dia da estreia, adentrou o espaço como um vencedor. Os persas, que lá treinavam, reagiram de pronto. Em silêncio solene largaram o que faziam e esvaziaram a academia.

É essa reação espontânea e inesperada que caracteriza o poder da opinião pública sobre as decisões injustas e impopulares emanadas do poder.

Ela se estende como um sentimento comum de violação do direito.

Comerciantes do bairro pedem aos céus que figuras públicas dessa estirpe esqueçam os seus estabelecimentos.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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