1 de maio de 2026
Adriano de Aquino

Mulheres trans no esporte

Previsível, como os dias que sucedem as noites e vice versa, que o movimento #xx, no tocante às disputas esportivas, apoiado por mulheres e homens, viralizasse e logo fosse atacado por ativistas e simpatizantes da causa trans.

O fato é que esse movimento não é de direita ou esquerda, é sobretudo uma questão de Direito.

Que os(as) atletas trans busquem uma forma de mostrar seu talento atlético em competições esportivas seja uma iniciativa justa, não há dúvida.

A dúvida surgiu e se tornou um problemão ao se ‘impor’ para categoria feminina competições desproporcionais, ainda que se justifique que o controle hormonal de mulheres trans são tão eficazes quanto o DNA.

Notificações de diversas associações esportivas contestam essa justificativa.

Além disso, desconheço registros de trans masculinos em disputas para homens.

Nas atividades sociais, nas ciências, nas artes, na política,no pensamento e no vasto campo do conhecimento a biologia não é uma qualificação determinante.

Nesses segmentos mulheres e homens são ‘naturalmente’ iguais, ainda que a cultura passadista determinasse limites para a inserção das mulheres em diversas atividades sociais.

Porém, essas barreiras foram paulatinamente superadas por avanços incontestáveis.

Contudo, é no mínimo estranho para não dizer suspeito, que os movimentos identitários desprezem a luta das mulheres para se impor no esporte, vencer obstáculos num campo outrora exclusivo dos homens.

Ao longo da história, centenas de mulheres obtiveram conquistas extraordinárias, superando a discriminação pela força, determinação, competência e alto desempenho esportivo.

Coube a essa vanguarda feminina nos esportes – não aos cartolas- o mérito de abrir precedentes e se tornar uma inspiração para muitas outras.

Ainda que várias vencedoras admitam que há muito a se fazer para atingir uma igualdade real no panteão dos esportes olímpicos, ninguém esperava – muito menos as mulheres – que uma canetada marota viesse a decretar o fim da característica biológica na categoria feminina.

Ora, até porque é injusto que as mulheres, que conduziram o esporte feminino a elevados níveis olímpicos, sejam agora obrigadas a disputar com mulheres trans.

No meu ponto de vista, a causa trans deveria se inspirar na histórica luta das mulheres, não simplesmente derrotá-las e erguer a bandeira correta, lutando com firmeza por sua inserção no quadro olímpico na categoria ‘trans’ em disputas correlatas, como fizeram as mulheres ao longo da história.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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