1 de maio de 2026
Adriano de Aquino

A relativa liberdade de expressão

A perigosa, talvez irreversível, legislação britânica de monitoramento, controle e prisão de cidadãos que manifestem livre expressão do pensamento sobre temas sociais importantes é muito preocupante.

Livia Tossici-Bolt, de 64 anos, de Bournemouth, cidade da costa sul da Inglaterra, foi condenada por duas acusações de violação da Ordem de Proteção de Espaços Públicos (PSPO), legislação que proíbe protestos perto de serviços de aborto.
A ativista antiaborto é cientista médica aposentada.

O caso ganhou dimensão internacional.

“As relações EUA-Reino Unido compartilham um respeito mútuo pelos direitos humanos e liberdades fundamentais. No entanto, como disse o vice-presidente Vance, estamos preocupados com a liberdade de expressão no Reino Unido”, escreveu o gabinete de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) dos Estados Unidos, um escritório do Departamento de Estado dos EUA.

Nesse final de semana, no festival de música em Glastonbury, o cantor Bob Vylan, um punk rap colonizado, subproduto do ícone americano Eminem, com transmissão estatal BBC, entrou numa de se projetar para o mundo.

No palco, aos berros, insuflou a plateia: “Morte, morte para a IDF”(Forças de Defesa de Israel) .

Até o momento não se tem notícia de uma ação punitiva do governo britânico para um caso explícito de indução ao ódio.

A BBC, por sua vez; “lamentou não ter cortado a transmissão ao vivo”. Lamentou (sic) depois que a ‘ode à morte’ de Israel já havia penetrado nas cabecinhas dos espectadores. O que nos leva a supor que a promoção pública de ódio em espaço público, feita pelo rapper, não preocupa as autoridades por isso não merecia monitoramento ou coerção in loco das forças do Estado.

Certamente, ficará por isso mesmo.

Pelo menos no Reino Unido, mas não nos EUA!

O Departamento de Estado americano já se manifestou.

Está analisando mecanismos legais para suspender o visto de entrada do cantor em território americano, onde se apresentaria em shows pré-programados, por ato antissemita e apologia ao ódio.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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