19 de maio de 2026
Alexandre Garcia

Renan Cassandra

Sede do Banco Master, em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Na mitologia grega, os deuses castigaram Cassandra, fazendo com que ninguém acreditasse em suas profecias, embora fossem retrato do que realmente aconteceria. Ela se tornou símbolo da profecia acertada, mas trágica – e por isso não acreditam. O senador Renan Calheiros, ex-presidente do Senado e ex-ministro da Justiça, acaba de profetizar que “a crise do Master está escalando e vai escalar cada vez mais”. Aonde vai chegar? Já está no topo do Judiciário e, pelo anúncio desse Renan Cassandra, no topo da Câmara, em um caso que conduz ao topo do Executivo.

Renan Cassandra denunciou que o deputado Hugo Motta enxertou em um projeto de lei um favor ao Master, fazendo com que os fundos de previdência aportassem um porcentual de seus recursos no Master. O projeto, ao contrário do que aconteceu com a emenda rejeitada do senador Ciro Nogueira, foi aprovado na Câmara e no Senado, e sancionado. Ao mesmo tempo, conta Renan, a cunhada de Hugo Motta teria recebido um empréstimo de R$ 140 milhões do Master, que não precisou pagar. No vídeo em que conta isso, Renan Cassandra parece pausar as sílabas ao pronunciar a palavra sancionado. Fiquei curioso sobre o motivo. E fui saber em que data a lei foi assinada pelo presidente da República.

Lula sancionou a lei, com a emenda de Hugo Motta que beneficia o Master, em 11 de dezembro de 2024 – sete dais depois de ter recebido Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, de forma oculta, fora da agenda, numa reunião de hora e meia. Vorcaro fora trazido pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, do PT. Lula chamou para a reunião Gabriel Galípolo, já indicado como presidente do Banco Central. Também na reunião estavam personagens do CredCesta, da Bahia, o ex-governador e ministro da Casa Civil Rui Costa, e o CEO do Master, Augusto Lima.

Vorcaro expôs a Lula que era um perseguido pelos grandes bancos, e pediu apoio contra a concentração do sistema bancário. Consultou se poderia vender o Master para o BTG, e Lula aconselhou que não. Não sei se mencionou que melhor seria vender para um banco estatal, porque depois foi a vez e a desgraça do BRB. Vorcaro saiu satisfeito. Contou à namorada que a reunião no Planalto fora ótima.

Sete dias depois, Lula sancionava a lei com a emenda de Hugo Motta, e fundos de previdência de estados e municípios eram predados em aplicações no Master. Como vaticina Renan Cassandra, a crise do Master está a escalar cada vez mais.

Fonte: Gazeta do Povo 

Alexandre Garcia

Jornalista, apresentador e colunista de política.

Jornalista, apresentador e colunista de política.

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