
Entre discursos, promessas e inflação no prato, a velha picanha volta ao cardápio eleitoral.
Olá caríssimos leitores,
Há coisas na política brasileira que parecem aquelas músicas antigas que tocam em modo repetição: você pensa que acabou, muda a estação, troca o canal, vira o disco… e ela volta.
Dessa vez, quem reapareceu no repertório foi a famosa picanha, sim, ela mesma, protagonista de uma das promessas mais
marcantes da campanha presidencial de 2022.
Nos discursos recentes, o presidente Lula voltou a afirmar que deseja ver a carne mais acessível ao povo brasileiro. Durante agendas oficiais, inclusive em visitas à Bahia, retomou o discurso de que o trabalhador precisa recuperar o poder de compra e voltar a colocar na mesa produtos antes considerados básicos, como a tão simbólica picanha. O presidente também criticou os preços elevados dos alimentos e voltou a mencionar itens como os ovos, reclamando do descompasso entre preços internos e o mercado externo.
A questão é que a picanha, hoje, já ultrapassou a condição de simples corte bovino. Transformou-se em símbolo político, peça de marketing, promessa de campanha e argumento eleitoral. O problema surge quando símbolos começam a substituir resultados concretos. Porque entre o discurso e a churrasqueira existe um caminho chamado realidade econômica.
E é justamente aí que mora a polêmica. Críticos e opositores lembram que a promessa já foi feita antes e argumentam que boa parte da população ainda sente no bolso o peso dos preços dos alimentos. Afinal, para muitas famílias brasileiras, o debate não é sobre escolher entre picanha, alcatra ou filé; é sobre conseguir manter o básico na despensa até o fim do mês.
A política brasileira também possui seus hábitos curiosos: promessas voltam, slogans reaparecem e velhas narrativas ganham novas embalagens. O eleitor, porém, costuma ter memória seletiva, mas o bolso raramente esquece.
No fim das contas, fica a pergunta: a picanha voltará à mesa do brasileiro ou continuará sendo servida apenas nos discursos?
Porque promessa requentada, convenhamos, pode até aquecer palanque e enganar os bobos doutrinado. Mas dificilmente enche prato.

