
Está aberta a temporada de traições e vinganças no cenário político nacional. Tudo alinhado a uma conjuntura que azedou, gerou discórdias e desafetos.
Foi o que o país assistiu no dia 29 de abril em pleno congresso. Uma recusa de candidatura do candidato do governo ao STF, Jorge Messias, que atingiu uma maioria de 42 votos contra 34.
Messias saiu humilhado de um périplo de pedidos de votos e uma jornada de sabatinas prosaicas, que quebrou um ciclo de 132 anos, desde a rejeição de Barata Ribeiro em 1894.
E o PT está aprendendo essa dura lição de quem até outro dia lutava nos seus flancos e participava de seus convescotes, regados à farta lambança. David Alcolumbre.
Luis Inácio o subestimou quando ele pôs na mesa o nome de Rodrigo Pacheco para um cargo no STF. Ele não estava propriamente fazendo uma mera sugestão, mas cobrando todos os favores, que fez e viabilizaram o governo até aqui, entre tantos desmandos.
O presidente do congresso aprendeu na gestão passada a criar todos os tipos de impedimentos para inviabilizar o governo de Jair Bolsonaro, a pedido do STF e do PT. Esperava reciprocidade.
Só que Lula só faz pelos seus. Os outros ele usa quando convém e distribui agrados pagos pelos cofres públicos a quem acha que vai converter em bois mansos.
Pacheco também fez o jogo petista, quando Alcolumbre saiu do posto e foi para o CCJ. Ficou lá como hospedeiro e herdeiro do cargo e suas mazelas. E em certa medida ele também acreditou que seria indicado para a suprema corte porque se portou como um borra-botas de envergadura.
Lula deu de ombros e resolveu o problema conduzindo um fiel escudeiro de seus quadros, porque era o que já estava em sua mente. Depois que os favores perdem a validade, ele esquece quem o prestigiou, a menos que seja um comunista raiz de suas trincheiras.
Jorge Messias é um petista leal, gerado nas hostes do partido. Sonso, travestido em cristão e blasfemador na prática. Ele nunca foi um técnico descoberto dentro do sistema. Foi fabricado para ser uma alternativa dentro do aparelhamento do estado.
Nem é digno de saber jurídico como se espera do cargo. É mais um enganador, como é Dias Toffoli, que se mostrou mais afeito à função de advogado de porta de cadeia do que juiz técnico, preparado para decidir sobre casos. Sempre ficou claro que é um incapaz, protegido por uma equipe que destrincha os processos para ele encenar. Assim como Fernando Haddad na economia, um zero à esquerda e eterno candidato de futuro inatingível.
Alcolumbre avisou. Quando sentiu que Lula não lhe daria ouvidos, armou o bote. O traiu com sangue nos olhos porque não pagou a fatura. Deu o calote em algo que até entre os canalhas é esperado: lealdade. Mosca branca na política, mas que certamente quando a sugestão foi proposta o presidente não recusou, desconversou.
E o país pode ver no dia 29 de abril como agem as lacraias quando uma delas foi picada no clã. A ferroada do judeu do Amapá foi violenta e precisa: se articulou com a direita e inviabilizou a candidatura do estafeta da companheira Dilma à vaga no supremo.
É certo que já havia uma fervura nos bastidores com a direita se movimentando para inviabilizar Messias. Dado o açoite dos parlamentares conservadores e a ocasião, juntou a fome com a vontade de comer.
A judicialização da política com os ministros do supremo interferindo em todas as instâncias da república, atuando como um poder paralelo, faz parte da trama combinada, antes mesmo de Lula assumir. E essa é outra pauta que a direita quer atacar. E Alcolumbre acena com a possibilidade de pautar tudo o que foi engavetado a pedido de Lula até então. O preço da traição, que pode soterrar mais um mandato de petista degenerado.
Na verdade, cada vez mais fica claro que todos já estavam previamente alinhados no consenso de perpetuar no poder, dividindo o país em currais, para enriquecer ilicitamente a perder de vista.
Alcolumbre tem sua parcela de culpa nesse jogo sórdido que pôs o país de joelhos. Até o ressentimento surgir e amargar o caldo da algazarra republicana. Sempre há um fator fora da curva para mudar todo o contexto quando se trata de política. O Brasil vive um clima de guerra fria e não se sabe ainda quem vai vencer.
Mas agora é tarde. Não há recuo para sujeitos com esse traço de caráter vingativo. E Alcolumbre não vai parar. Ele já pensa na sucessão do planalto. Na verdade a picada foi onde mais dói : na ânsia de poder.
E Messias, que representou bem o papel de bom moço e enganou até o pastor André Mendonça, volta para os bastidores do AGU ( Advocacia Geral da União), numa situação bem pior do que a de Barata Ribeiro, o médico indicado pelo marechal Floriano Peixoto, rejeitado pelo colegiado, em 1894.
Na verdade ele não foi o único indicado pelo segundo ex-presidente marechal da República Velha a ser rejeitado. Foram cinco. Além de Barata Ribeiro, que chegou a exercer o cargo por dez meses. Foram eles: os generais Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros; o magistrado Antônio Sève Navarro; e o procurador Demosthenes da Silveira Lobo.
Além de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do senado, há outros nomes cotados para a vaga no supremo. Entre eles, figura Bruno Dantas, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Possui excelente trânsito no Senado e é considerado um nome moderado, com menos chances de gerar polêmicas.
Mas o que se discute agora é a possibilidade de adiar a indicação da vaga para o próximo presidente, o que também contraria a Constituição. A articulação já está em curso, durma-se com um barulho desses.

