
As ditaduras hereditárias também conhecidas como ditaduras familiares tiveram hoje um upgrade.
O Irã acaba de atualizar o regime, agregando ao processo a ‘ditadura celestial’ ao ungir o filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, como novo líder supremo.
Entre as ditaduras hereditárias mais longevas do mundo, quando o poder político é transferido entre membros de uma mesma linhagem, assemelhando-se a uma monarquia, mas operando dentro de uma estrutura republicana nominal ou regime autoritário, encontra-se:
Coreia do Norte: O exemplo mais emblemático de ditadura hereditária. O poder passou de Kim Il-sung (fundador) para seu filho Kim Jong-il, e posteriormente para o neto Kim Jong-un.
Azerbaijão: O poder foi transferido de Heydar Aliyev para seu filho, Ilham Aliyev, em 2003.
Turcomenistão: Recentemente consolidou a sucessão de Gurbanguly Berdimuhamedov para seu filho, Serdar Berdimuhamedov, em 2022.
Togo: Gnassingbé Eyadéma governou por 38 anos até sua morte, sendo sucedido por seu filho Faure Gnassingbé.
Guiné Equatorial: Teodoro Obiang Nguema Mbasogo detém o recorde de governante há mais tempo no poder; seu filho, Teodorín Obiang, é o atual vice-presidente e sucessor.
Chade: Após a morte de Idriss Déby em 2021, seu filho Mahamat Déby assumiu o comando do país.
Américas (Contexto Histórico)
Nicarágua: A Dinastia Somoza (Anastasio Somoza García e seus filhos Luis e Anastasio Somoza Debayle) governou o país de 1936 a 1979. Daniel Ortega consolidou uma ditadura com características dinásticas, assemelhando-se à família Somoza que ele ajudou a derrubar na Revolução Sandinista de 1979.
Cuba: baseada em um famigerado modelo de partido único, a família Castro exerceu o controle direto sobre Cuba por 62 anos, de 1959 até 2021. Embora os irmãos Castro não ocupem mais a presidência ou a liderança do Partido Comunista, o regime atual é uma mescla de ditadura plena com o modelo aristocrático parlamentarista, predominantemente simbólico e cerimonial, com forte e expressiva atuação dos herdeiros da dinastia Castro. No tocante à dinastia Castro há um detalhe surpreendente.
Numa possível transição de regime, a vontade popular por mudanças é secundada por ‘acordos’. Conforme relatos recentes de veículos de imprensa internacionais (como Axios, Miami Herald e El País), o governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump e liderado pelo Secretário de Estado Marco Rubio, estaria mantendo conversas secretas com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como “El Cangrejo”, que é neto de Raúl Castro e sobrinho-neto de Fidel Castro. É mole?

