
Nunca tente salvar quem está se afogando se você estiver nadando ao lado. Parece desumano, mas não é. Salve-se primeiro.
Nesse contexto é que se encontra Alexandre de Moraes, tentando safar-se a qualquer preço das sanções impostas pela lei Magnitsky.
Ele está atado à regras superiores que não pode manipular e vai puxar para junto de si quem lhe der guarida. Aqueles a quem cita os nomes estão lascados. Mas a traição faz parte da natureza humana e logo ele sentirá seu gosto amargo. O primeiro será Barroso, depois o Gilmar. Juntos nos pecados, separados no ônus.
Depois de tentar levar a cabo a trama de enterrar o movimento liberal e conservador do país a pedido do PT e da esquerda, há o empenho de consumar a vingança contra ícones da oposição. Só que está fazendo isso sem se preocupar com detalhes.
Por isso comete erros crassos e mantém uma peça acusatória fraca, cheia de pontas soltas.
Ele crê que basta meter medo e arreganhar dentes, só porque mantém aparelhadas todas as instituições.
Porém, agora seu esforço persecutório ganhou uma pitada bem mais generosa de ódio. Donald Trump deve ser o mais abominável indivíduo do planeta, no consciente e inconsciente de Moraes – depois de Bolsonaro.
Toda a rebelião no entorno do poder – esta sim verdadeiramente golpista –, arrasta para o olho do furacão desafetos expurgados do poder, como Eduardo Tagliaferro (cuja isenção e santidade não convence), inconformados com os rumos do país, a imprensa da resistência antissistema e fatos que escapam ao controle e se tornam públicos. Tudo está vindo à tona e estourando na superfície como pústulas sanguinolentas. A infecção se alastrou e está fora de controle.
A imprensa começou a divulgar os dossiês engavetados. Só resta mesmo se vingar.
Por isso ele está se excedendo na dose de maldades. Daniel Silveira é um dos alvos desde sempre. O desdém para com a necessidade de cuidados médicos do deputado mostra sua faceta maléfica. E ele vai continuar ignorando até a situação se agravar e começarem as súplicas. Atitudes típicas de um sujeito como Mussolini ou Stálin.
Após ser xingado nas ruas por todo país e o povo pedir seu impeachment, no dia 3 de agosto, passou a segunda-feira seguinte ruminando como apertar o torniquete e ferir o público que exige sua saída.
Por isso aprisionou Bolsonaro, restringiu totalmente sua liberdade, apreendeu celulares e de pessoas próximas no direito à comunicação, baseado em fatos absurdos. Também pôs tornozeleira no senador Marcos do Val, ameaçou Nikolas Ferreira e segue aumentando a lista de alvos.
Só que nem todos que estavam nas ruas eram bolsonaristas, mas toda unanimidade com certeza está contra ele.
Embora seus atos pareçam uma demonstração de força de um deus da mitologia, na verdade são uma prova do quanto as sanções o abalaram e derrotaram seu moral . Vai tentar cair de pé, mas não vai conseguir. Sua vida estará cada vez mais restrita com todas as portas se fechando. Seus movimentos estarão dependentes de um esquema cada vez mais complicado e sua liberdade econômica e de comunicação comprometidas. Desejará ser um homem comum.
O sistema vai se cansar dele porque a política se enverga até certo ponto. No primeiro sinal de fraqueza, estará sozinho. Por isso está escalando o arbítrio. É o mal do afogado.
Tudo indica que Bolsonaro não estará nas próximas eleições. E Trump já deu o recado: sem ele no pleito, os resultados das urnas não serão aceitos e o país todo será sancionado. E junto seguem os países da Otan.
Essa é a aposta do PT para vomitar a narrativa anti-imperialista e colocar o Brasil como vítima de Trump e se bandear de vez para a China.
Só que o presidente americano não age sozinho, consulta seus pares e se baseia nas leis do país para tomar decisões. O Brasil vai perder.
Estamos, portanto, num impasse: vamos nos espatifar, chegar ao fundo do poço para depois nos reerguermos pouco a pouco. E com alguma sorte levaremos dez anos para reconstruir o que foi destruído em quatro.
A lição que se tira de tudo isso é o fato de que o brasileiro vai aprender a não depender de políticos. E que deve votar com inteligência, não com emoção ou descaso, mas com pragmatismo para controlar o sistema.
O processo será difícil e doloroso. A política exige vigilância. Alexandre de Moraes será visto pelo retrovisor da história. Apenas um espectro sombrio do passado.

