21 de setembro de 2026
Professor Taciano

A verdade é a mentira mais astuta

A verdade, essa senhora pomposa que gosta de se exibir com cara limpa e roupa branca, é na verdade (olha só que ironia) uma mentirosa de primeira. A diferença é que, ao contrário da mentira descarada, ela aprendeu a colocar um blazer e falar em tom acadêmico. Ninguém desconfia de uma verdade bem articulada – especialmente se ela vier com gráficos, fontes confiáveis e um especialista de terno por trás.

A verdade, hoje em dia, é um produto de marketing. A embalagem vem com selo de “checado”, “verificado” ou “confirmado por especialistas”, e pronto: é só engolir. Mas cuidado, porque atrás desse rótulo bonito pode estar a mais astuta das mentiras, aquela que não precisa se esconder. Ela se apresenta com tanta confiança que você nem pensa em questionar.

Vivemos na era da pós verdade, um nome chique pra dizer que a mentira aprendeu a dançar conforme a música. E a verdade? Ah, ela se adaptou. Agora ela faz selfies no Instagram com filtro, entra em debates políticos e sai pela tangente quando pega mal. O que importa não é mais o que é verdadeiro, mas o que parece verdadeiro o suficiente para convencer quem você quer convencer.

E cá entre nós, quem nunca contou uma “verdade conveniente”? Daquelas que a gente molda com um pouquinho de omissão aqui, um toque de dramatização ali. É quase uma arte. E quem domina essa arte vira autoridade. A mentira, coitada, ainda tenta com bigodes falsos e disfarces toscos. Já a verdade… bem, ela sorri, dá entrevista e publica livro.

No final das contas, talvez o truque mais brilhante da mentira tenha sido se disfarçar de verdade. E o mais engraçado? A gente aplaude.

E vou muito mais além. A verdade, coitada, sempre teve fama de séria, pura e inquestionável. Um verdadeiro exemplo de moralidade. Mas ninguém desconfia que por trás desse ar de santidade, ela é só uma mentirinha bem vestida, cheia de bons contatos e com habilidade em relações públicas.

Ela não precisa correr, nem se esconder: ela desfila, plena, como se fosse a dona da razão. A mentira ainda precisa se disfarçar, trocar de nome, fugir pelas beiradas. Já a verdade? A verdade senta na janelinha, de óculos escuros, tomando café com juízes, jornalistas e filósofos.

Porque o segredo da verdade é simples: ela sabe ser convincente. Basta ser repetida o suficiente, colocada num PowerPoint com fonte séria, e voilà! Temos uma verdade indiscutível. Quem ousa questionar? Só os “teóricos da conspiração”, que, por sinal, também têm suas “verdades”, que curiosamente se parecem com outras mentiras astutas.

O mais bonito é que a verdade se molda aos interesses. Hoje ela é uma, amanhã pode ser outra. Depende do partido, do patrocinador, da audiência. Ela não é absoluta, é flexível, como toda boa atriz. E a gente, bobo, continua acreditando que ela é incorruptível. Acha mesmo que ela não tem um bom plano de carreira?

A verdade é tão esperta que convenceu o mundo de que ela existe. E isso, meus caros, é o maior golpe já aplicado. A verdade não liberta. Ela manipula, ilude, e ainda sai aplaudida de pé.

A mentira até tenta, mas está anos-luz atrás da verdade. Afinal, para enganar alguém hoje em dia, não basta mentir – tem que falar como a verdade, se comportar como a verdade, e o mais importante: parecer confiável. E nisso, minha gente, a verdade é profissional.

E na política?

Na política, a verdade é uma atriz premiada. Veste terno, discursa com entonação de herói nacional e jura, de mãos no peito, que está ali “pelo povo”. Ah, o povo… esse figurante tão necessário na narrativa da verdade política.

A mentira, coitada, ainda usa bigode falso e entra pelos fundos. Já a verdade senta na tribuna, sorri nas propagandas e ganha eleição com 98% de promessas e 2% de maquiagem. E nem precisa disfarçar. Basta repetir três vezes no telejornal, colar num post patrocinado e pronto: temos um novo “fato incontestável”.

A verdade na política é elástica. Serve para justificar aumento de salário, cortes na saúde, privatização em nome da eficiência e até escândalo como “falha de comunicação”. O político olha nos olhos da câmera, mente com todas as letras, mas faz isso com tanta segurança que parece estar revelando um segredo divino. E o melhor: quem não acredita vira “radical”, “desinformado” ou “inimigo da democracia”.

A mentira tradicional ainda tenta: espalha boatos, cria fake news, inventa dossiês. Mas a verdade, essa sim é gênio do crime. Porque ela sabe ser institucional. Tem CPF, CNPJ, parecer jurídico e, claro, respaldo da assessoria de imprensa.

E o eleitor? Bem, o eleitor até desconfia, mas no fundo prefere a mentira bem contada à verdade crua. Acredita em quem fala bonito, em quem promete “mudança”, mesmo que seja a quinta vez seguida. No fundo, sabe que está sendo enrolado, mas finge que acredita e a política agradece.

No fim das contas, a mentira não venceu a verdade. Ela só se filiou a um partido, aprendeu a discursar e virou governante.

Professor Taciano Medrado

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade do Estado da Bahia (1987)-UNEB e graduação em bacharelado em administração de empresa - FACAPE pela FACULDADE DE CIÊNCIAS APLICADAS DE PETROLINA (1985). Pós-Graduado em PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL. Licenciatura em Matemática pela UNIVASF - Universidade Federal do São Francisco . Atualmente é proprietário e redator - chefe do blog o ProfessorTM

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