
A reação do presidente do Supremo às notícias negativas sobre a atuação da corte brasileira publicada pela revista The Economist, circunscrita aos veículos do consórcio da grande imprensa brasileira, potencializam a divulgação do que já é ruim, para muito além dos leitores habituais da publicação inglesa.
Pode-se forjar a opinião pública por um tempo, mas um dia as caldeiras perdem poder e o que parecia cinzas volta ao estado bruto.
Na perspectiva do regime em curso, em conluio com veículos da grande imprensa, a urgência em regulamentar as redes sociais, que preocupava o cidadão brasileiro sobre as consequências da censura prévia para a liberdade de expressão, acabou acendendo a luz vermelha no painel da comunidade internacional de comunicação.
O que parecia um assunto doméstico fácil de resolver através da coerção, tomou outro rumo.
A opinião pública é flexível. De repente reage com vigor às intimidações impopulares e inaceitáveis.
Um exemplo disso, a nível de bairro, aconteceu recentemente no Leblon, bairro do Rio de Janeiro onde surfa a onda progressista carioca.
Sérgio Cabral, que ostentava vitória contra 400 anos de condenação concedida pela corte, se sentindo um dos 300 de Esparta, decidiu encarar a opinião pública.
Cheio de si, inscreveu-se numa academia do bairro.
No dia da estreia, adentrou o espaço como um vencedor. Os persas, que lá treinavam, reagiram de pronto. Em silêncio solene largaram o que faziam e esvaziaram a academia.
É essa reação espontânea e inesperada que caracteriza o poder da opinião pública sobre as decisões injustas e impopulares emanadas do poder.
Ela se estende como um sentimento comum de violação do direito.
Comerciantes do bairro pedem aos céus que figuras públicas dessa estirpe esqueçam os seus estabelecimentos.

