Imbecilidade não faz quarentena!

Pensei até em ignorar as duas falas mais imbecis da semana, porque são de uma baixeza tão grande que causam indignação, estupefação, raiva e náuseas quando repetidas, mas não deu.
Uma proferida pelo nosso (vosso. Eu não votei nele) presidente atual. Outra pelo nosso (vosso. Nunca votei nele) ex-presidente.
Não dá pra ficar de bico calado quando a gente ouve uma besta fazendo live e soltando uma “gracinha” do tipo “quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”, no dia em que o Brasil atingiu quase 1.200 mortos em 24 horas.
A vontade que deu ao ouvir isso foi a de falar: e quem tem um presidente urubu que vá tomar Coca-Cola.
Ele, mais uma vez, demonstrou que está se lixando para o morticínio provocado pelo coronavírus aqui no Brasil, e que seu negócio é ser garoto propaganda da tal cloroquina.
Então, vamos ligar os pontos: se ele não liga para a tragédia que estamos vivendo e insiste em impor um remédio que não tem eficácia comprovada sobre a doença, é porque aí tem!
E parece que tem!
Dizem as boas línguas e os sites sérios de notícia que é preciso dar um destino àquela montanha de comprimidos produzidos pelo laboratório do Exército.
Levado pela onda daquele outro cloroquinento americano, o Pato Donald Trump, o governo de Jair Bolsonaro investiu os tubos na cloroquina em pó – aliás pagou R$ 1.304,00 por quilo, seis vezes mais do que foi pago há um ano, e nem pestanejou. O insumo é importado da Índia, e fornecido aqui por uma empresa do interior de Minas.
Quando começou a se falar em cloroquina, doentes de lúpus, de artrite e de malária acabaram ficando sem o medicamento próprio para seus tratamentos porque teve uma corrida às farmácias à procura do santo remédio. Agora, essa pílula milagrosa está entupindo os espaços do laboratório, que já tinha produzido, até o começo desta semana, 1,25 milhão de comprimidos. E a previsão é a de produzir mais 1,75 milhão nos próximos dias.
Vamos combinar que é remédio que não acaba mais. E é preciso achar uma saída pra ele.
Dessa forma, como não encontrou quem o ajudasse nessa missão, Bolsonaro trocou dois ministros médicos até achar alguém que topasse fazer a mudança de protocolo para o uso da droga.
Sobrou então para o ministro interino, o general Eduardo Pazuello, chamado por eles de “número dois da Saúde”. (Pela cagada que está fazendo, chamá-lo de número dois é bem adequado.)
Médicos afirmam que receitar cloroquina e mandar pra casa o paciente com Covid-19 pode ser um risco grande. Ele pode morrer sem assistência, em consequência de algum dos efeitos colaterais graves que provoca. E que seu efeito benéfico é o mesmo do “feijão da cura” do pastor picareta Valdemiro Santiago de Oliveira.
Mas a turma do cercadinho apoia a iniciativa do presidente e até compôs uma versão da Florentina do Tiririca: “cloroquina , cloroquina, cloroquina lá do SUS, eu sei que tu me curas, em nome de Jesus”, e todos os dias, quando o presidente aparece, entoam o “hino”.
E assim, em meio à maior e pior pandemia já vista, o Brasil continua sem ministro da Saúde. Mas providências estão sendo tomadas para que se combata o vírus com rigor: o número dois nomeou nove militares num dia e mais quatro no dia seguinte, para atuarem no Ministério da Saúde.
Como não tem nenhum médico nesse pelotão do Exército, imagina-se que vão atacar o vírus com tiros ou batendo neles com a continência da rígida disciplina militar.
E daí, pra lembrar que há tempos o Brasil não tem um presidente decente, aparece ele, o probo, o honesto, o moço de fino trato, entre aspas, ex-presidente, ex-(e quem sabe futuro) presidiário, Luiz Inácio, com a pérola: “Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução”.
Ora, vocês, seus dois urubus! Vão tomar nas suas rimas e, de quebra, levem a puxa-saco da recém Divorciadinha do Brasil com vocês.
O que ela tem a ver com isso? Além de se encaixar no título do texto, nada! Só tô sem paciência pra nhenhenhé!

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