Uma cepa, um vinho – Sauvignon Blanc

Foto: https://glossary.wein-plus.eu/sauvignon-blanc

Desde que começamos a publicar nossas matérias sobre vinhos, num já longínquo 2011, textos sobre as diversas castas usadas neste universo sempre estiveram presentes. No site www.oboletimdovinho.com.br, um leitor mais curioso pode pesquisar pelo nome de uma casta e encontrar alguns resultados interessantes.

Voltar a um tema tão básico como este, discorrer sobre a matéria-prima dos vinhos, é sempre uma forma de obter novos conhecimentos.

Um vinho, brasileiro, elaborado com esta nobre casta branca, recentemente degustado, foi o moto para este texto.

Vamos conhecer um pouco sobre a Sauvignon Blanc e depois comentamos o vinho.

Apesar de ser uma das grandes uvas brancas, ao lado da Chardonnay e Riesling, é mais conhecida por seu um dos pais da Cabernet Sauvignon e por uma característica muito caricata de seus vinhos: o aroma de “pipi de gato”.

Sua origem é controversa. Os estudos mais recentes (*) sugerem o Vale do Loire, França, como seu berço. Uma citação de 1534, no livro Gargantua, de Rabelais, menciona algumas uvas, entre elas a Fiers, como sendo o acompanhamento perfeito para uma pâtisserie local chamada Fouace.

Fiers, Blanc Fumé, Muskat-Silvaner e Savagnou, são alguns dos muitos sinônimos pelos quais é conhecida.

Modernas análises de DNA demonstraram que há um conflito genético com a casta Savagnin, razão pela qual são constantemente confundidas. O mais provável é que seja uma descendente desta última, e meia-irmã de outras espécies como Grüner Veltliner, Petit Manseng, Silvaner e Verdelho.

Este tipo de investigação mostrou mais um dado surpreendente: seria uma neta da Pinot Noir. Por outro lado, pode ser considerada como irmã da Chenin Blanc, a mais importante uva do Vale do Loire.

Por meios naturais, propagou até a região do rio Gironde, onde cruzou, espontaneamente, com a Cabernet Franc, originando a afamada Cabernet Sauvignon.

Existem duas mutações desta casta: Sauvignon Gris e Sauvignon Rouge.

A origem de sua denominação é controversa. A hipótese mais aceita nos remete à Gália Romana, onde existiria uma localidade chamada Sauvagnon (região de Bearn), nome por sua vez derivado de um prenome: Salvinius ou Salvanius.

Sendo uma planta muito vigorosa, exige solos mais pobres para que possa entregar frutos adequados para a vinificação. Está plantada em quase todos os países produtores. Seus vinhos são de grande acidez, com uma gama de aromas que enfatizam os herbáceos: grama, folhas, etc…

“Pipi de Gato num arbusto de groselha” é um dos descritores mais usados, principalmente se os frutos foram colhidos precocemente. Durante a fermentação, alguns tipos de enzimas e leveduras utilizadas podem reagir com os compostos tiólicos, aumentando o leque de aromas, onde podem ser percebidos, maracujá, toranja e algo defumado, além do citado inicialmente.

É a 3ª uva branca mais cultivada no mundo. Os melhores vinhos elaborados com ela vêm da França: Sancerre e Pouilly-Fumé.

O Chile e a Nova Zelândia são dois países onde esta uva se destaca. Atualmente os vinhos “kiwi” são considerados muito superiores aos demais, principalmente os elaborados pela vinícola Cloudy Bay.

No Brasil não é uma das cepas mais populares, mas um excelente vinho nacional foi quem motivou este artigo: Vinhética Sauvignon Blanc Barrica Brasileira 2018.+

Este produtor segue os moldes dos famosos negociantes franceses. Comandada por Gaspar Desurmont, um agrônomo francês de alma brasileira, escolhe criteriosamente produtores para cultivar as uvas que serão transformadas em vinho e engarrafados com seu rótulo.

A matéria-prima deste vinho veio de Santa Catarina, que tem ótimos terroirs para o plantio desta casta. A novidade mais interessante está na barrica: foi montada com algumas aduelas de madeiras brasileiras, como Grápia e Jequitibá Rosa.

Posso garantir que o resultado é excelente. O contrarrótulo diz tudo:

“A linha de varietais da Vinhética é o nosso maior laboratório de experimentações com cepas de diferentes terroirs, estilos de vinificação e tipos de madeira, inclusive brasileiras.

Neste Sauvignon Blanc, a elegância da uva branca do Planalto Catarinense, terroir de altitude, é aliada à passagem por barricas de madeiras brasileiras como a Grápia e Jequitibá Rosa. O resultado é um vinho singular e marcante, com notas frutadas (limão Siciliano e outros cítricos), macio e com ótima persistência. Harmoniza com queijos macios e semiduros com alto teor de gordura, aves e molhos à base de leite ou manteiga e com um toque de ervas aromáticas”.

Saúde e bons vinhos!

(*) Wine Grapes: A Complete Guide to 1,368 Vine Varieties, Including Their Origins and Flavours, por Jancis Robinson, Julia Harding, Jose Vouillamoz.

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2 Comentários

  • Avatar
    Orlando Chagas , 7 de dezembro de 2019 @ 18:30

    Adorei a postagem… realmente se formos estudar cada uma das espécies de uvas, levaremos a vida toda e nem sequer chegaríamos à metade. Vc conseguiu cobrir e nos mostrar muito bem e didaticamente esta minha uva preferida para brancos… parabéns.
    Orlando Chagas

    • Tuty
      Tuty , 7 de dezembro de 2019 @ 18:41

      Orlando
      Agradeço seu comentário.
      Pelo visto, acertei na mosca!
      Um dos compêndios sobre uvas, o mais completo de todos, lista 1368 tipos de uva.
      Abraço
      Tuty

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