Uma casta, um vinho – Chardonnay

Fonte: https://glossary.wein-plus.eu/chardonnay

Se a Cabernet Sauvignon é considerada como a mais importante uva vinífera tinta, e seus vinhos verdadeiros soberanos, a sua consorte seria a branca Chardonnay, uma casta tão importante quanto.

Indiscutivelmente uma Rainha entre as uvas brancas, é uma espécie de camaleoa, capaz de se adaptar aos mais diversos solos e climas, razão pela qual, é plantada universalmente. Seu habitat mais natural são os solos calcáreos.

Apesar deste caráter “Urbi et Orbi”, se a vinificação estiver em mãos competentes, os resultados serão excelentes.

Por outro lado, esta universalização fez com esta varietal entrasse no capítulo das coisas que são amadas ou odiadas por diferentes pessoas. Entre seus detratores está a turma do ABC ou “Anything But Chardonnay”.

Sua origem é francesa, da região denominada Saône-et-Loire. Os primeiros registros de sua existência datam de 1583, sob o nome de Beaunois. Entretanto, este apelido também foi dado a outras castas, como a Aligoté, sugerindo que não é o registro mais exato. Em 1685, no histórico da vila de Saint-Sorlin, podem ser encontrados alguns trechos afirmando que “a uva ‘Chardonnet’ produzia ótimos vinhos”.

A denominação atual, Chardonnay, vem da vila homônima da região de Mâconnais, ao sul da Borgonha.

Recentes análises de DNA demonstraram que ela decorre de um cruzamento espontâneo entre a Pinot e a Gouais Blanc. Pertence, portanto, à mesma família da Gamay Noir, Melon, Aligoté, entre outras.

Seus vinhos mais famosos, depois dos Champagnes, são os brancos da Côte d’Or: Meursault, Corton-Charlemagne…

No continente americano, os ‘Chards’ de Napa Valley são, indiscutivelmente, os mais respeitados. O Chateau Montelena Chardonnay foi um dos campeões do “Julgamento de Paris”, uma degustação comparativa entre famosos vinhos franceses e alguns desconhecidos vinhos norte americanos. Este episódio mudou, para sempre, o mundo do vinho. Foi retratado, de forma ficcional, num filme homônimo (Bottle Shock no original).

Dois estilos se destacam: os vinhos ao estilo de Chablis, com ótima acidez refrescante, precisos e límpidos no sabor e o estilo norte americano, com suas notas amanteigadas, decorrente de passagem por madeira e de uma controlada conversão malolática, onde o ácido málico é transformado em ácido lático, dando origem às notas de laticínios. Certamente calcado nos vinhos de Meursault.

A Chardonnay pode ser vinificada de diversas maneiras, gerando vinhos que apresentam características únicas, que vão desde os secos, saborosos e ricos, passam pelos vinhos base para espumantes e terminam com vinhos doces de uvas botritizadas. Super versátil.

Além da França e dos EUA, outros países se destacam com excelentes vinhos desta uva: Itália, Espanha, Alemanha (onde reina a Riesling), Áustria, Austrália e Nova Zelândia. Na América do Sul, Uruguai, Chile produzem excelentes varietais com essa casta. Na Argentina existe um clone denominado Mendoza, já reconhecido e aceito.

No Brasil estão plantados cerca de 650 hectares, usados para produção de nossos bons espumantes e para alguns vinhos tranquilos, com ótimos resultados.

Escolher um vinho para caracterizar esta casta é quase impossível, há muitas e importantes opções.

Minha escolha vai recair num vinho argentino: Linda Flor, da Bodega Monteviejo.

Essa vinícola, uma das pioneiras do grupo Clos de los Siete, tem origem francesa. Sua proprietária original, Catherine Peré-Vergé, já falecida, foi quem escolheu o atual Enólogo e diretor técnico desta e de outras vinícolas francesas, o premiado e respeitado Marcelo Pelleriti, responsável por esta obra de arte.

Após a prensagem dos grãos, que são mantidos em contato com as peles por um bom tempo, o mosto é fermentado em barricas de carvalho francês, com temperatura controlada e battonage diária. Parte do vinho passa por conversão malolática em barricas.

O vinho obtido é untuoso e com acidez equilibrada. No olfato destacam-se notas de frutas de polpa branca e algumas especiarias. No palato apresenta um bom corpo, com sabores frutados e refrescantes. Final de boca interminável. Um vinho elegante, equilibrado e delicioso, como poucos em sua categoria.

Imperdível, para aqueles que realmente desejam compreender esta casta única.

Saúde e bons vinhos!

Fonte consultada: Wine Grapes: A Complete Guide to 1,368 Vine Varieties, Including Their Origins and Flavours, por Jancis Robinson, Julia Harding, Jose Vouillamoz.

Em tempo: recebemos este comunicado com relação ao evento de lançamento do Guia Descorchados.
“Colocamos a segurança de todos os parceiros, amigos, profissionais da área e clientes em primeiro lugar”.

Por esta razão, devido a crise do Coronavírus, estamos transferindo a data do evento de lançamento do Guia Descorchados 2020, para o mês de agosto. O evento do Rio de Janeiro , será remarcado em breve , e São Paulo, fica para a data do dia 11 de agosto de 2020.

Lamentamos os inconvenientes”.

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2 Comentários

  • Avatar
    Zilton Neme , 14 de março de 2020 @ 10:45

    Prezado Tuty, bom dia
    Quando foi a Mendoza, conheci esta vinícola e degustei este vinho. Muito bom mesmo, parabéns por sua escolha.

    • Tuty
      Tuty , 14 de março de 2020 @ 12:28

      Zilton.
      Agradeço seu comentário.
      Abs

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