2 de julho de 2022
Walter Navarro

Lula e Sísifo


Por motivo de fórum íntimo romano, há muito não escrevo aqui. Uns dois meses? Para mim, uma pequena eternidade.
Mas hoje, em pleno sábado de Carnaval de 2019, senti necessidade.
Ando fugindo e escapando do Brasil pelo túnel da alienação voluntária. O Brasil cansa.
Sobre o Hino Nacional nas escolas, por exemplo. Eu poderia e até gostaria de escrever um quilômetro em milhas. Mas, para que e para quem? Tudo tão pequeno, medíocre e ridículo.
Antes de qualquer jogo de futebol, vagabundo, somos obrigados a ouvir o Hino Nacional. E ninguém nunca reclamou.
Os jogadores da seleção brasileira fingem saber cantar, fazem mímica de ventríloquo e ninguém nunca falou nada.
No mais, desafio alguém a cantar nosso hino sem ler a letra. E mesmo lendo, ela é ridiculamente ininteligível. Parece ter sido escrita pela Dilma, bêbada.
No país de Mariana, Brumadinho, Flamengo e mil etc, ainda existem bípedes preocupando-se com o Hino Nacional nas escolas.
Já cantei muito. Já até desfilei o 7 de Setembro quando estudante. Isso, nunca me fez um nazista, fascista, patriota, anarquista. Graças a Deus.
Canto o Hino Nacional como canto a Marselhesa, aos pedaços. Como árias de ópera.
Paro.
O assunto de hoje é o neto de Lula. Arthur.
O assunto de hoje é compaixão.
Parabéns ao juiz ou juíza que deu permissão a Lula de ir ao velório do neto. Eu daria.
Daria mais três dias.
Mesmo que Lula não mereça e, como bom psicopata que é, não precise.
Eu daria permissão para Lula ir ao enterro de sua falecida mãe. Aquela que, segundo o próprio Lula, nasceu analfabeta. Mesmo porque, minha mãe e minha avó também nasceram analfabetas.
Eu deixaria Lula sair da prisão para o velório da mulher dele, D. Marisa. “A Galega que engravidou no primeiro dia”. Mesmo se soubesse que, logo depois, ele culparia a defunta por seus próprios crimes.
E deixaria Lula ir ao velório, recente, de seu irmão e cúmplice Vavá.
Compaixão, repito!
Se Lula tem sentimentos verdadeiros ou não, problema dele. Eu tenho. Já perdi meu pai; infinitos amigos e queridas.
Lula vale nada. Mas tem direitos.
Lula deve ter o direito de sair para o velório, não só de familiares, mas também de seus amigos e comparsas.
Compaixão, piedade, misericórdia!
Fosse eu juiz, permitiria, sempre.
Se os filhos de Lula morrerem amanhã ou daqui 50 anos, Lula merece ir ao velório, enterro ou cremação.
Se eu morrer amanhã ou daqui 69 e Lula quiser mijar no meu túmulo, respeito e deixo.
Lula deveria comparecer ao enterro de cada brasileiro que ele matou ou deixou morrer, o que seria, finalmente, no fundo e literalmente, o #lulalivre.
PS: Enfim, Lula deveria sair da prisão para cada, toda e qualquer morte. Desde que, depois, volte para a cadeia, eternamente.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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