23 de maio de 2022
Walter Navarro

João, Carlos, Juscelino, Jango, Tancredo, Celso, Toninho, Marielle, Jair e o brasileiro cordial


Este, talvez, seja o maior título com que batizei uma crônica. Faltaram nomes, com certeza.
O título veio na esteira de uma conversa de bar, que começou com o preço da abobrinha e foi terminar em Adélio.
O brasileiro cordial, eternizado por Sérgio Buarque de Hollanda, nunca teve nada de cordial. Foi uma licença poética, talvez étnica.
Os Estados Unidos levam a fama de matar seus presidentes, mas o Brasil sempre foi e continua um dos países mais violentos do mundo.
João Pessoa (1878-1930), presidente (governador) da Paraíba, foi assassinado. Era candidato a vice-presidente da República, na chapa de Getúlio Vargas (1882-1954), que perdeu para Júlio Prestes. Sua morte, foi uma das causas da Revolução de 1930, que depôs Washington Luís e ressuscitou, pela primeira vez, Getúlio Vargas.
O jornalista, político e língua ferina, Carlos Lacerda (1914-1977), inimigo figadal de Getúlio Vargas, sofreu um atentado em 1954. No seu lugar, morreu o major Rubens Vaz.
O ex-presidente, Juscelino Kubitschek (1902-1976), eterno candidato à presidência até hoje, depois de morto, foi “assassinado” num acidente de carro, deveras bizarro, depois de comer a amante.
Outro ex-presidente, João “Jango” Goulart (1918-1976), foi envenenado com ataque cardíaco ou gripe, no exílio, em Corrientes, na Argentina.
O prefeito de Santo André, petista arrependido, Celso Daniel (1951-2002), foi torturado e assassinado. 10 pessoas ligadas ao caso também morreram de “asma”. A Família teve que fugir do Brasil.
Vou deixar Ulysses Guimarães, Eduardo Campos e Teori Zavascki, para outra ocasião, se eu não for assassinado.
O prefeito de Campinas, onde cresci, Toninho do PT (1952-2001) foi assassinado a tiros.
A vereadora do Rio de Janeiro pela facção ou milícia do PSOL, Marielle Franco (1978-2018), foi assassinada, também a tiros.
O então candidato e atual presidente, Jair Bolsonaro (1955-2055), sofreu um atentado, levou uma facada daquelas, Dia de São Adélio, em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora.
Não. Não esqueci do Tancredo, que é o prato principal.
Lembram do Tancredo Neves (1910-1985)? Avô do Aécio? O presidente que foi sem nunca ter sido? Dizem que ele morreu, de diverticulite, em 21 de abril e Tiradentes.
Há controvérsias! Minhas!
Afinal, quem matou Tancredo? Odete Roitman?
Não foram os militares que mataram Tancredo. Eles estavam de saco cheio e não viam a hora de entregar o poder, o embrulho de manga, aos sedentos civis. Tanto que, o general Figueiredo nem quis entregar a faixa ao Sarney, de sinistra memória.
José Sarney é aquele bandido que antecedeu outros meliantes, como Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma e Temer. Todos inimigos, mas na Hora H, amigos de infância….
Em 1989, 1990, no máximo 1991, eu morava em Paris.
Eu estava numa festa, entre mulheres e bebidas, cheia de brasileiros e franceses.
Em dado momento, conheci um brasileiro mais perdido que calcinha em suruba.
Sob os eflúvios do álcool, começamos a conversar e, depois do preço da abobrinha, terminamos em Tancredo.
O cara me disse algo assim: “Você é jornalista, de Minas… Tenho uma coisa muito séria pra te contar. Mas só na presença da minha mãe…”.
Não sei se foi o whisky do Sherlock Holmes ou o vinho do Hercule Poirot. Mas, alguma coisa investigativa desceu em mim. Peguei o endereço do cara e, dia seguinte, de trem, fui a um subúrbio feio de Paris, encontrar a mãe e o filho da mãe.
Estávamos todos sóbrios. Acho que me serviram nem um cafezinho.
A chance de mãe e filho serem loucos, ao mesmo tempo, com a mesma história é meio rara, concordam?
Pois bem, foi aí que me contaram isso:
Mãe e filho eram vizinhos da jornalista Glória Maria, da Globo. Glória é aquela chata que, de simples repórter, virou apresentadora do Fantástico e depois do Globo Repórter.
À época, houve um boato, sobre um atentado, desmentido por todo mundo, inclusive pela Glória Maria. Ela foi a última jornalista a entrevistar Tancredo. Foi na saída de uma cerimônia, numa igreja, no interior de Minas.
Tiros! Os dois atingidos.
Tancredo começou seu calvário que o levaria à morte. Glória foi internada e, pelo jeito, não morreu, kkkkkkkkkkkkk.
Filho e mãe, no subúrbio de Paris, continuaram a história:
Como vizinhos e amigos foram visitar Glória Maria no hospital, que contou toda esta história medonha.
Depois disso, filho e mãe foram ameaçados de morte, caso abrissem o bico e a boca.
Fugiram para Paris. Me contaram tudo isso e nunca mais tive notícias deles.
PS: A família de Celso Daniel também fugiu do Brasil. Se um dia eu morrer, como diria o Roberto Marinho, a culpa é do PCC: Primeiro Comando de Curitiba.
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Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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