25 de julho de 2024
Walter Navarro

Falem mal, mas não falam de mim


Hoje, domingo, dia 7 de abril de 2019, ganhamos uma aula de censura, jornalismo marrom e desonestidade intelectual total.
Foi um domingo atípico, claro, mas muito estranho ou muito previsível?
Um ano de Lula na prisão, provavelmente, não atrás das grades da jaula que ele merece. Merece ração também. A efeméride exigia uma programação inteira, no mínimo uma retrospectiva: nada!
Manifestações contra o STF e em apoio à Operação Lava Jato, em todo o Brasil. Uma grande notícia, um acontecimento que merecia registro. Mas, nas TVs, aberta ou por assinatura, nada! No lugar dos protestos brasileiros, nas telas, a manifestação gigante……………………. Contra Maduro, na Venezuela. Impressionante (não) vermos uma só imagem do grito brasileiro.
No lugar das manifestações Brasil afora, overdose do festival de música (sic) Lollapalooza. Exposição de Tarsila do Amaral, ambos em São Paulo.
E mais assunto, pasmem! Os 25 anos do genocídio em Ruanda e muito futebol.
Engraçado o Jornalismo brasileiro lembrar Ruanda, 25 anos depois, como a Guerra na Bósnia, episódios largamente negligenciados à época.
O que aconteceu e ainda acontece, hoje, lembrou me o ditador comunista, assassino de milhões, Josef Stalin, na antiga e finada União Soviética.
Stalin, ditador, matou, fisicamente, infinitos ex-camaradas e desafetos da Revolução de 1917.
Outros milhões de outros ele expurgou, mandou para trabalhos forçados na Sibéria, onde também acabavam morrendo. Não contente em exterminar os colegas, acabou com eles também nas fotos.
Este fato ficou famoso e deve ter sido a primeira vez que um ditador apagou, tirou das fotos históricas, com um bisturi, os “desagradáveis”. Era até engraçado ver Trotsky – que caiu em desgraça no regime – sumindo das fotos, ao lado de Lênin, até Stálin mandar mata-lo no México.
Ah estes russos! Assim como os americanos adoram matar seus presidentes, Stálin e seus discípulos amam matar opositores. Putin, por exemplo, é adepto de um bom veneno em quem perturba sua santa paz de KGB.
Já os sauditas, também gente da melhor qualidade, preferem esquartejar jornalistas em suas embaixadas pelo mundo.
Mas voltemos aos assassinos do Brasil.
No Brasil, nem todo bandido sabe matar. Exemplo disso é o único assassinato de um político brasileiro que me vem à memória, o de João Pessoa, em 1930, no Recife.
Tentaram eliminar o Carlos Lacerda e não conseguiram, em 1954, no Rio. De pacífico, o brasileiro tem nada, mas haja incompetência. Pra matar direitinho tem que ser petista, né Celso Daniel?
E a Marielle? E a facada no Bolsonaro? Mistérios soturnos de humilhar qualquer Agatha Christie.
No caso de Bolsonaro, depois do Adélio falhar, o sujeito oculto acionou o plano B. Em vez de apagar Bolsonaro na vida e nas fotos, estão apagando o presidente.
Não fossem as redes sociais, veríamos nada.
No lugar das manifestações, pesquisa do Datafolha, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, mostrando a impopularidade de Bolsonaro, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Assim, não mais que de repente, morrem as mídias tradicionais. Perdem o monopólio da comunicação; imagens e palavras.
Todo mundo nu e ninguém é de ninguém. Vale tudo.
A imprensa está virando uma masturbação débil mental.
Depois reclamam de leitores e telespectadores minguando, migrando para os fatos sem edição, manipulação.
A imprensa contaminada fez de tudo para eleger Haddad: Sifu!
Boicotou e fez terrorismo, perseguiu Bolsonaro.
Inventou, deturpou, mentiu, com a santa ajuda de pesquisas e Ibopes patéticos. Mas, sifu!
O que restou? Fingir que Bolsonaro só existe no lado negativo. 90 dias!
Exatamente como o mundo trata nossa América Latrina. Só existe a Venezuela. Quando o exterior lembra do Brasil é pra mostrar o avanço da ultra direita no planeta.
Nem sempre a censura precisa cortar. Basta não mostrar o que está acontecendo.
Finalmente Nelson Rodrigues errou. O Brasil não perdeu seu complexo de vira-lata em 1958, ao ganhar sua primeira Copa do Mundo.
Quando a mulher e o homem não têm coragem para terminar um relacionamento, usam a indiferença, fogem, somem. A indiferença, a arma mais fácil dos covardes.
OBS: Só para não dizerem que não falei das urtigas, exatamente, agora, 22h15, o Jornal das 10, na Globonews não economizou: três minutos sobre as manifestações, dando ênfase, claro, à massa ignara que pedia a libertação do bandido mor. Pelo jeito não esqueceram que Lula está preso, Babacas!
PS: Se meu ouriço fosse presidente, numa situação dessas, ele rasgaria esta bosta de Constituição de 1988 e mostrava aos cegos o que é bom para tosse.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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