14 de julho de 2024
Walter Navarro

Explodamos as voltas redondas e quadradas


Hoje, 15 de maio foi meio foda!
Antes da explosão de imbecis nas ruas, pedindo Lula Livre na Educação, senti um cheiro de napalm, de Chernobyl em 1986; de Césio 137, em Goiânia 1987.
Um acidente na Companhia Siderúrgica Nacional, a CSN, em Volta Redonda, Rio, deixou, até então, 30 funcionários com sinais de intoxicação.
Torcendo para que nada mais grave tenha acontecido no País de Mariana e Brumadinho, perdi-me em devaneios que têm nada a ver com os idiotas úteis, inúteis e os funcionários da CSN.
Fiquei ligado no nome Volta Redonda. Como pode uma cidade chamar-se Volta Redonda impunemente? Nem que tenha um bom motivo, por mais feia que seja, nenhuma cidade merece um nome destes.
Pensei mais um pouco e desenterrei assunto que há muito me aflige. Como são feios ou ridículos os nomes da maioria de nossas cidades.
A começar pela cidade onde fui inaugurado, Barbacena.
Depois, pela cidade onde cresci: Campinas, SP.
Como uma epidemia, fui grudando um nome no outro.
Belo Horizonte. Nome mais idiota, insosso! Muito pueril, muito básico e lógico. Belo Vale, Belo Monte… Que falta de criatividade.
E Contagem? E Betim? Horríveis e sem sentido.
Ouro Preto é bacana, Sabará e Catas Altas da Noruega também.
Agora, Conselheiro Lafayette, Carandaí, Ressaquinha… Misericórdia!
E Juiz de Fora?
Montes Claros é legal. Mas, Santos Dumont, Engenheiro Navarro e Tiradentes, pelo amor de Deus! Tiradentes dói até com anestesia.
Meu amigo César Felix, latifundiário da revista Sagarana, certa feita brincou: “Na ditadura César Felix vou proibir e mudar todos os nomes de cidades que têm nome de gente”.
E tem toda razão. Quem merece nascer numa cidade chamada Cristiano ou Teófilo Otoni? É muito ego, muito culto à personalidade.
Mas não vou pegar apenas no pé de Minas Gerais. Vejam que ridículos os nomes das duas maiores cidades do Brasil: São Paulo e São Sebastião do Rio de Janeiro.
Muito brega, como San Francisco, Los Angeles e Nova York. York é legal, mas Nova York é muito Nova Lima, Nova Iguaçu.
Londres, Paris, Brasília, Roma, Madri, Lisboa, Berlim, Belgrado, Varsóvia, Budapeste, Moscou, Tóquio, Cairo, Estocolmo, Bagdá… Nomes lindos. Agora, Washington? Cabul, Porto Alegre? Porto Seguro?
E São Paulo e Rio de Janeiro ainda ficam piores. A falta de criatividade é tanta que as capitais de São Paulo e Rio de Janeiro são, pasmem: São Paulo e Rio de Janeiro.
Rio de Fevereiro, Rio de Outubro…
Algumas cidade são tão lindas, que a gente acaba sublimando o nome feio, como Nova York, Rio e São Paulo.
Ipanema no Rio é lindo, em Belo Horizonte não recomendo nem ao Estado Islâmico.
Sion, o bairro onde moro, é bem melhor que o original, Sião.
Um dos bairros mais chiques de BH tem nome de mãe de amigo meu: Lourdes.
Bairro Regina, via Gorduras!
Mas não entremos em bairros sem fim.
Continuemos com nossas capitais.
Tudo que acaba em “pólis”, pra mim, é feio. Como Caetanópolis, Carmópolis e até Florianópolis, por mais lindas que sejam suas praias.
Curitiba e Cuiabá! A primeira sílaba já estraga tudo.
Palmas, Salvador, Maceió, Recife, Macapá, Aracaju e Porto Velho eu gosto.
Agora, João Pessoa, Vitória, Natal, Teresina, São Luís, Belém e Manaus… Tenham dó!
Boa Vista é tão ruim quanto Campo Grande, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Esgotei as capitais? Rio Branco e Fortaleza, gosto.
E Garanhuns? Come este nome, tinha mesmo que parir um Lula, não é verdade?
Vou propor ao presidente Bolsonaro uma reforma de nomes. São Paulo vai virar Idiotas Inúteis; Rio de Janeiro, Massa de Manobra e Belo Horizonte, Vagabundos Comunistas.
PS: Brasília? Não, Jairlândia não. Deixa como está, os políticos já fuderam muito aquela pobre cidade.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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