24 de maio de 2022
Vera Vaia

And The Oscar goes to…


Roteiristas de cinema que baseiam suas histórias em fatos da vida real do nosso mundo político tiveram uma semana cheia de ideias.
Alguns até escolheram o título de “Idiotas Úteis” para um filme mas logo desistiram quando perceberam que não seria um sucesso de bilheteria entre reitores, professores, funcionários e estudantes de Universidades Federais, e até mesmo entre uma parte da população cada vez mais estarrecida com a inépcia de um chefe de Estado que faz esse tipo de comentário.
Outros até pensaram em escrever sobre Abraham Weissmuller, digo, Weintraub, mas depois de assistirem a uma sabatina de quatro horas a que foi submetido, acharam que não valeria a pena mostrar um ministro arrogante e pouco convincente nas suas explicações. Então resolveram contar a história que se passou entre o presidente e um de seus ministros, o da Justiça.
Usando nomes fictícios, esses roteiristas contam como um país atolado na lama da corrupção desde sua descoberta, vive seus dias atuais.
Na esperança de que tudo mudasse, a população desse país escolheu um mito para ser seu presidente. Ele seria o salvador da pátria, e com ele traria outros salvadores que recuperariam a Economia, a Educação (ou a falta dela), a precária Saúde (cada vez mais precária), e sobretudo acabariam com a onda de violência que assola a nação inteira.
E foi justamente com esse ministro, o que nos livraria desse mal amém, que o presidente criou um caso que deu o que falar.
Num dia 12 de maio, o presidente Jayrson (ou Already Go) Pocketnaro provoca um verdadeiro tsunami quando resolve jogar seu súdito Serge Monroe na fogueira com a seguinte declaração: “Eu fiz um compromisso com ele, ele abriu mão de 22 anos de magistratura. A primeira vaga que tiver lá (STF) estará à disposição”, sugerindo que ele só aceitou o convite com o único objetivo de ganhar uma toga preta do Supremo Tribunal Federal.
Essa não teria sido a primeira desavença ocorrida nesse casamento de apenas cinco meses, mas certamente a mais séria. Tanto que provocou uma reação em um dos “conjes”, que, sentindo o cheiro de fritura, logo desmentiu essa declaração.
No dia seguinte a ela, Monroe, em palestra concedida no sul do País, numa cidade chamada Assritiba, disse: “Eu não estabeleci nenhuma condição. Não vou receber convite para ser ministro e estabelecer condições sobre circunstâncias do futuro que não se pode controlar”.
Ainda não sabemos o fim desse filme, mas por enquanto a corda está arrebentando do lado mais fraco.
Em uma outra versão, escrita por autores mais crédulos na política da nova era, Serge Monroe é retratado como um lobo em pele de cordeiro e voz de marreco.
Eles acham que esse juiz, nos idos de 2009, começou a engendrar um plano diabólico ao qual chamou de Lava Jato, para prender corruptos de um partido de esquerda – inclusive um ex-presidente chamado Louis Squid da Silva – com o único objetivo de receber mais tarde, de um governo de direita, seu tão almejado cargo de ministro do Supremo.
Também não sabemos ainda como termina essa versão, mas é provável que nessa o juiz vá ficar sem o Ministério da Justiça, sem sua toga suprema e que talvez tenha de catar latinhas para sobreviver.
Escolha a sua preferida e enjoy the movie!

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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