1 de julho de 2022
Colunistas Vera Vaia

Um convidado bem trapalhão!

Na comédia de Blake Edwards, Peter Sellers faz o papel de um ator indiano atrapalhado que destrói o set de filmagens e, por engano, acaba sendo convidado para uma grande festa na casa do produtor. Nem precisa dizer que lá criou uma série de confusões.

Qualquer semelhança com a ida do nosso presidente à reunião do G20 na Itália não é mera coincidência. Ele não chegou a destruir o recinto, mas pagou mico o tempo todo em que esteve por lá. Desde a interrupção aloprada na apresentação de um músico de rua até pisão no pé da primeira-ministra alemã Angela Merkel, que não se conteve e comentou: só podia ter sido você!

Desde o começo do encontro, Jair Bolsonaro nos fez relembrar de vários filmes conhecidos, só que em suas piores partes.

Um Estranho no Ninho

O filme de Milos Forman estrelado por Jack Nicholson conta a história de um bandido que, para fugir da prisão, acaba indo para um hospital psiquiátrico.
Bolsonaro não fugiu da prisão (estão mexendo os pauzinhos para que ele seja senador vitalício pra se livrar dela, caso seja solicitada), mas pareceu ser um total estranho no ninho ao chegar no primeiro dia de reunião. Como não conseguiu socializar com nenhum líder internacional, resolveu bater papo com os garçons:
“Tudo italiano, né?”. Responderam com um sorriso sem jeito, mas li nos seus speech balloons: Não, mané! A gente é tudo lorde inglês praticando seu segundo hobby preferido depois do golfe, que é servir umas biritas aqui pros convidados.

Pinocchio

O filme de 2019 de Roberto Begnini não chegou a fazer lá muito sucesso, mas a história é manjada e ilustra muito bem as declarações de Jair Bolsonaro durante o G20. Contou lá fora (como se ninguém tivesse acesso às informações) que o Brasil vai muito bem, obrigado. Que ele fez de tudo para comprar vacina e que o desemprego e a inflação estão sob controle porque “fez o dever de casa” em sua estratégia de retomada da Economia.

A Fonte dos Desejos

No original, Three coins in the fontain. Esse romance da década de 50 narra a lenda do “poder” da moeda jogada na fonte mais famosa de Roma: a Fontana di Trevi. Quando lançada de costas dentro do poço, a moeda se carrega de magia e pode atender aos mais ardentes anseios ou até mesmo proporcionar um retorno ao local. E pra não fugir à regra, líderes de várias nações se perfilaram na frente da fonte pra jogarem suas moedas. Adivinha quem não estava? Dizem as más línguas que Bolsonaro teria mandado um substituto de nome Queiroz em seu lugar, mas que não apareceu na foto porque estava dentro da fonte catando as moedinhas que posteriormente seriam depositadas na conta da primeira-dama.

Parente é Serpente

Belíssimo filme de Mário Monicelli que mostra como os parentes são ótimos quando estão longe um do outro. Quando se juntam na casa da nonna, porém, seus podres vêm à tona. Para Jair Bolsonaro também teria sido melhor se tivesse evitado a viagem à cidade Anguillara Veneta, onde estão seus ancestrais. Tirando a parte em que foi homenageado num almoço em que chorou lágrimas de crocodilo ao ouvir a música Mamma “por se lembrar de sua mãe” (vale dizer que ela ainda está viva), lá fora a coisa foi diferente. Um grupo carregava uma faixa com os dizeres “Bolsonaro, vergonha do Vêneto”, enquanto outro gritava: “Bolsonaro, pedaço de merda”. (A produção não informou se tinha parentes nas manifestações mas, dado o tamanho da cidade, é possível que tivesse algum zio lontano.)

Débi & Loide

Em entrevista a jornalistas italianos, Jair Bolsonaro, apesar dos seus amplos conhecimentos gerais, confundiu o nome de John Kerry, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, com Jim Carrey, ator e humorista conhecido por protagonizar, entre outros, o filme Débi & Loide.
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The End!

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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