2 de julho de 2022
Colunistas Ricardo Noblat

É o dinheiro que manda nas votações da Câmara, mas não só ali

Mensalão do PT em 2005 não passou de trocado, se comparado com o esquema do orçamento secreto para reeleger Bolsonaro

Arthur Lira_plenário_Câmara Pablo Valadares/Agência Câmara

Furar a lei do teto dos gastos que eles mesmos haviam aprovado? Aplicar um calote no pagamento de dívidas judiciais vencidas? Pedalar a Lei de Responsabilidade Fiscal, o que já provocou a queda de um presidente da República? Desconsiderar a mais do que certa repercussão negativa de suas decisões?

Nada disso importa à maioria dos deputados na hora de votar, tanto mais às vésperas de ano eleitoral. Importa o dinheiro que o governo lhes oferece para que votem assim ou assado. Vale a regra universal de que, ao fim de uma negociação, cada um tem seu preço. Se o que lhes pedem é ilegal, que a Justiça diga mais tarde.

O crime coletivo é mais difícil de ser punido. Em 2001, o Congresso aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que parcelava o pagamento dos precatórios. Nove anos depois, o Supremo Tribunal Federal julgou que precatórios não podem ser parcelados, têm que ser pagos de imediato. Adiantou?

Fonte: Blog do Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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