Coitado do Jacaré

Intervalo de paz nas minhas ansiedades políticas: semana passada, exatamente na quinta-feira, senti pela primeira vez o aroma do inverno. Fiquei emocionada, não há cheiro que me transmita mais sensação de aconchego. É uma mistura de lenha queimando na lareira, castanha assando na esquina e ar gelado, que me faz muito bem. Adoro.

Aqui na cidade do Porto, as temperaturas raramente descem abaixo de zero. Mas a sensação térmica é de imenso frio. Há um vento, que os locais chamam de “nortada” – pelo nome e pela sensação que provoca, deve mesmo vir do Ártico –, que não deixa barato. Muitas vezes, o Serviço de Metereologia informa que, apesar de temperatura positiva, as dificuldades são de menos três ou cinco graus. Mas, como sabemos, não existe frio, existe gente mal agasalhada. Um bom casaco e uma excelente camisola interior, dão conta do recado. Para quem não é poliglota, como eu sou, camisola interior é o que nós, brasileiros, chamamos de segunda-pele. Mas tem que ser aflanelada e colada ao corpo para funcionar.
Cachecol, luvas e pronto. Sem problemas, caminhamos contra o vento, sem lenço, sem documentos, na maior felicidade. Em qualquer café, mesmo o mais simples, sempre há excelente vinho para esquentar o corpo e a alma. Acho que já deu para descobrir que eu amo o inverno. Definitivamente, meu DNA luso domina sobre os outros.
Notícia de última hora: acabei de ler na Internet que, no domingo passado, o Rio de Janeiro naufragou por causa de um temporal. Até um jacaré resolveu passear nas águas da Avenida Ayrton Senna, Barra da Tijuca. Vi a foto, era um jacaré taludo, criado com minguau de maizena. Cruzes, como é possível uma cidade só andar para trás?
Mas, de repente, sei, não. Quem sabe o jacaré foi uma tentativa de ajuda divina? Se o bombeiros não o tivessem devolvido às lagoas locais, ele poderia chegar ao condomínio em que mora o pior prefeito que a cidade já teve. O Península é ao lado da Ayrton Senna, o jacaré estava na rota certa.
Já pensaram a maravilha? Numa só dentada, Crivella já era.
Deus põe, o homem dispõe, diz a sabedoria popular.
Coitado do jacaré, por que não o deixaram cumprir a sua missão?

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