Assistimos no dia 7/9 à exibição de “dois Brasis”. Um da direita, atual oposição, e outro da esquerda, atualmente no poder. O do poder destila ódio e vingança. O da oposição grita por ajuda, porque está censurada e limitada em suas atitudes, sob forte crivo de dois dos Três Poderes – Executivo e, principalmente, o Judiciário.
O da Esquerda é o Brasil do ressentimento. O da Direita, o da compaixão. Sim, é um Brasil “dos brasileiros” e um Brasil “de Brasília”. Aquele que manda – o de Brasília -, declarou guerra aberta ao “dos brasileiros” e o fez de refém. Está pronto para dar o golpe fatal no país “dos brasileiros”, em conluio com o STF.
O Brasil “de Brasília” critica o pedido de anistia da maioria do Congresso. O STF já prometeu barrar a aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional, poder eleito pelo povo brasileiro. Agora, como podemos entender como razoável, uma Constituição que coloca o Judiciário como Poder supremo? Ele tem que se submeter aos Poderes eleitos!!! Estes sim, foram votados e escolhidos pelos brasileiros para que os representem. Precisamos mudar nossa Constituição. Não há igualdade entre os poderes quando os outros dois têm que se submeter ao arbítrio do outro.
Anistia, liberdade de expressão, direito à ampla defesa e devido processo legal só eram aceitáveis quando beneficiavam terroristas, assaltantes, ladrões de dinheiro público e de bancos fraudadores, sequestradores, assassinos e agentes de ditaduras genocidas.
Entretanto, o objetivo deste editorial é mostrar a diferença dos dois Brasis e isso ficou bem claro no dia 7/9, onde Esquerda e Direita promoveram manifestações em todo o Brasil, especialmente no Rio e em SP, contra ou a favor do momento jurídico do país. Vamos a elas:
A Direita brasileira

A manifestação da direita brasileira em São Paulo, pela anistia do ex-presidente Bolsonaro e dos presos de 8 de janeiro e contra a atuação do ministro Alexandre de Moraes, reuniu milhares de pessoas na Avenida Paulista neste 7 de setembro. Segundo a USP, 45mil; O Globo deu 85mil entre Rio e SP.
Também participaram a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os governadores de Minas, Romeu Zema e de Santa Catarina, Jorginho Mello. O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder de seu partido na Câmara, defendeu o impeachment de Moraes, acusando-o de cometer crimes.
O ex-procurador da Lava-Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol criticou Moraes por ele perseguir Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.
“Eles dizem que é por justiça. Perseguir Bolsonaro é justiça? Perseguir Silas Malafaia é justiça?”, questionou. Disse ainda: “No tempo da Lava Jato, a gente ia pegar o dinheiro dos corruptos. Hoje, eles vão pegar o caderno de orações de um pastor. Isso é justiça? Cassar direitos políticos dos políticos da direita é justiça? Colocar Lula, tirar Bolsonaro é a justiça? Rasgar a Constituição e a lei é a justiça? O Brasil quer justiça! Por isso, o Brasil quer impeachment constitucional do ministro Alexandre de Moraes. O devido processo legal foi destruído e as defesas sabotadas. A perseguição política avança sobre nós”.
Tarcísio de Freitas, governador de SP, diferentemente do que vinha dizendo, mudou o rumo de seu discurso, e cobrou de Hugo Motta a pauta do projeto da anistia aos presos do 8 de janeiro. Além disso, afirmou que Bolsonaro está sendo julgado por um crime que não existiu – e sequer foi tentado. No máximo foi planejado e não executado. Disse ainda que Bolsonaro seguramente será condenado na 1a Turma, sem ter tentado nada.
Ainda disse: “Não vamos aceitar a ditadura de um Poder sobre o outro. Chega! Não vamos aceitar que nenhum ditador diga o que temos que fazer. Se toda a trama, todo o enredo, toda a narrativa foi construída em cima de uma delação mentirosa, se não tem uma ordem, se não tem um texto, se não tem um áudio vinculando Bolsonaro ao 8 de janeiro, não tem nada que o ligue. É tudo muito frágil, muito tênue. Como que nós vamos admitir uma condenação?”.
A imprensa internacional repercutiu amplamente os atos realizados no dia 7/9 em diversas cidades brasileiras pedindo anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e criticando as ações do STF, citando, especialmente, o ministro Alexandre de Moraes. A seguir alguns destaques internacionais:
– A Agência Reuters destacou a forte presença de bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, interpretadas como um gesto de apoio ao presidente norte-americano Donald Trump, que tem se posicionado em defesa de Bolsonaro.
– O The New York Times relatou que os manifestantes de direita superaram em número os de esquerda e que, apesar do processo em andamento, Bolsonaro continua sendo uma força política significativa no Brasil.
– O jornal britânico The Guardian ressaltou que os manifestantes pediram durante os atos a intervenção de Trump para pressionar o governo brasileiro e libertar o ex-presidente.
– Na América Latina, o jornal argentino Clarín destacou que as manifestações reuniram milhares de pessoas e que cartazes exibidos em São Paulo diziam: “Thank you, president Trump”.
– O jornal espanhol El País destacou o discurso de Michelle Bolsonaro, que afirmou: “Quem tinha que estar aqui é meu marido, que está amordaçado em casa com uma tornozeleira eletrônica quando nem sequer foi julgado”.
A Esquerda brasileira

No mesmo dia 7/9, houve uma manifestação da esquerda. A manifestação organizada por partidos de esquerda e centrais sindicais, fracassou na tentativa de reunir uma multidão em Brasília no Dia da Independência. O ato atraiu algumas dezenas de pessoas com bandeiras e camisetas vermelhas a menos de dois quilômetros da manifestação Reaja Brasil, da direita, e de onde ocorria o desfile militar do Dia da Independência, assim como foi o desfile oficial do dia 7/9. Ruas vazias e sem vibração.
Diferentemente de outros presidentes, Lula não falou na abertura do desfile. No sábado, ele fez um pronunciamento em rede nacional e usou o espaço para criticar os traidores da pátria, que , segundo ele, foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais.
Para terminar, deixo um fato histórico verídico para reflexão:
Em 1822, D. Pedro bradou contra a tirania das cortes de Lisboa. Duzentos e três anos depois, bradamos contra a tirania da corte de Brasília. Triste país partido, triste país refém.


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